Julgamento do bicheiro Fernando Iggnácio: Promotoria aponta 'cooptação' de PMs

Julgamento do bicheiro Fernando Iggnácio no Rio de Janeiro expõe cooptação de policiais militares pela contravenção. Promotoria detalha disputa pelo poder e planejamento do crime.

Julgamento do bicheiro Fernando Iggnácio: Promotoria aponta 'cooptação' de PMs

O julgamento dos irmãos Pedro e Otto D'onofre Cordeiro pelo homicídio do bicheiro Fernando Iggnácio entrou em seu segundo dia, com a promotora Andréa Fava, do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do Ministério Público, destacando a "cooptação" de policiais militares pela máfia do jogo do bicho. Segundo Fava, pelo menos quatro dos réus envolvidos no crime já tiveram atuação como policiais, o que considera um aspecto "nefasto" da contravenção.

## Ligação com o Jogo do Bicho e Disputa pelo Poder

A promotora citou Rodrigo Silva das Neves, condenado a mais de 32 anos de prisão pelo homicídio, e Márcio Araújo de Souza, apontado como homem de confiança do bicheiro Rogério Andrade e que responde pelo crime em outro processo. "Agentes que são cooptados pela grande máfia da contravenção, do capo Rogério Andrade, que responde como mandante deste crime em outro processo", afirmou Fava, ressaltando que Márcio Araújo fazia a ponte entre os executores e Andrade. A vítima, Fernando Iggnácio, era um dos "capos" do jogo do bicho no Rio de Janeiro, e sua morte estaria ligada à disputa sangrenta com Rogério Andrade pela herança do bicheiro Castor de Andrade.

## Planejamento e Execução Profissional do Crime

Andréa Fava descreveu o assassinato como um crime meticulosamente planejado, com atuação de executores profissionais. "Não se trata de um crime no calor da emoção. Se trata de um crime com características de profissionais da arte de matar, de homens que eram policiais militares", declarou. Os irmãos Pedro e Otto D'onofre Cordeiro respondem por homicídio triplamente qualificado, incluindo motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de emboscada que impossibilitou a defesa da vítima. O crime ocorreu em 10 de novembro de 2020, quando Iggnácio chegava ao estacionamento da empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio.

As investigações apontam que Pedro Emanuel D'onofre Cordeiro realizou um voo de reconhecimento na mesma empresa, três dias antes do homicídio, utilizando a mesma rota que a vítima faria. O primeiro dia do júri, realizado no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, ouviu seis testemunhas. A sessão foi interrompida e retorna nesta sexta-feira. Durante o depoimento, o delegado Moysés Santana afirmou que Pedro fez um voo para "reconhecimento" do local. Depoimentos em vídeo de testemunhas que não compareceram foram exibidos aos jurados.