Irmãos ex-PMs condenados a mais de 30 anos por morte de bicheiro

Irmãos ex-policiais militares são condenados a mais de 30 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado do bicheiro Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020 no Rio de Janeiro. Pedro Emanuel e Otto Samuel D'onofre Andrade receberam sentenças de 32 e 31 anos, respectivamente.

Irmãos ex-PMs condenados a mais de 30 anos por morte de bicheiro

Dois irmãos, que eram policiais militares, foram condenados a penas superiores a 30 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado do bicheiro Fernando Iggnácio. O crime ocorreu em novembro de 2020, no Rio de Janeiro. Pedro Emanuel D'onofre Andrade recebeu a sentença de 32 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, enquanto seu irmão, Otto Samuel D'onofre Andrade, foi condenado a 31 anos, 5 meses e 6 dias de prisão. Ambos cumprirão a pena em regime inicialmente fechado.

## Planejamento e Execução do Crime

O julgamento, realizado no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, apontou que o assassinato foi meticulosamente planejado e executado por profissionais. Segundo a acusação, Pedro Emanuel utilizou seus conhecimentos como policial militar para auxiliar na empreitada criminosa, atuando no levantamento de informações, monitoramento da vítima e reconhecimento do local. A promotora Andréa Fava destacou que a cooptação de agentes da lei pela máfia do jogo do bicho é um aspecto "nefasto" do caso, com Rogério Andrade sendo apontado como o mandante do crime em um processo separado.

Fernando Iggnácio era um dos "capos" do jogo do bicho e sua morte teria sido motivada por uma disputa sangrenta pela herança do bicheiro Castor de Andrade. A promotoria descreveu o crime como não sendo "no calor da emoção", mas sim com "características de profissionais da arte de matar".

## Outros Envolvidos e Defesa

Além dos irmãos, Rodrigo Silva das Neves, também ex-policial militar, já havia sido condenado a mais de 32 anos de prisão por envolvimento no assassinato. Márcio Araújo de Souza, apontado como homem de confiança de Rogério Andrade, responde pelo crime em outro processo. A defesa dos irmãos condenados alegou insuficiência de provas e questionou as investigações, classificando a acusação como uma "colcha de retalhos". Houve também a alegação de insanidade mental de Pedro D'onofre Cordeiro por parte de sua defesa, que pediu sua inimputabilidade.

O juiz Thiago Portes citou a "frieza e violência exagerada" da ação, ressaltando a traição do dever por parte de Pedro Emanuel ao se aliar à contravenção. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que os irmãos optaram pelo silêncio durante o interrogatório e que a defesa pretende recorrer da decisão.