Interpol desmantela golpe romântico com falsa delegacia brasileira

Operação global da Interpol contra golpes românticos e extorsão sexual prendeu 5.811 pessoas e bloqueou US$ 293 milhões, com mais de 142 mil vítimas identificadas.

Interpol desmantela golpe romântico com falsa delegacia brasileira

Uma ampla operação internacional, liderada pela Interpol e envolvendo 97 países, desmantelou um complexo esquema de golpes românticos e extorsão sexual que afetou mais de 142 mil vítimas em todo o mundo. A ação, denominada Operação First Light 2026 e realizada entre janeiro e abril deste ano, resultou na prisão de 5.811 pessoas e no bloqueio de US$ 293 milhões em ativos ilícitos.

As autoridades policiais analisaram mais de 152 mil casos e congelaram cerca de 31 mil contas bancárias, utilizando mecanismos como o I-GRIP para interceptar fluxos financeiros de redes criminosas. Os golpes exploravam engenharia social e lavagem de dinheiro, visando vítimas em diversos países.

Um dos casos mais chocantes ocorreu na África do Sul, onde a polícia de Eswatini desmantelou uma infraestrutura ilegal que simulava uma delegacia de polícia brasileira. Criminosos utilizavam videochamadas, vestindo uniformes e ostentando placas falsas, para se passar por membros da Polícia Federal do Brasil e convencer as vítimas a realizar transferências bancárias.

Na Tailândia, um jovem de 20 anos foi detido após investigações revelarem que sua carteira digital movimentou mais de US$ 122,5 milhões em 10 meses, provenientes de golpes românticos convertidos em criptomoedas. Outras intercepções de valores ocorreram em Singapura, Omã e Macau.

Tomonobu Kaya, diretor do Centro de Crimes Financeiros e Anticorrupção da Interpol, destacou a crescente ameaça dos golpes de engenharia social. "Os grupos criminosos exploram a psicologia humana para manipular as suas vítimas, e nenhuma nação pode permanecer segura a menos que todos os países estejam equipados e empenhados em combatê-los em conjunto", afirmou.

A operação contou com financiamento do Ministério da Segurança Pública da China e apoio operacional da Aseanapol, GCCPOL e Europol, que facilitaram o cruzamento de dados e o cumprimento de mandados.

Os criminosos empregavam diversas táticas, incluindo golpes de investimento, extorsão sexual e falsificação de identidade, muitas vezes utilizando criptomoedas e sites de jogos de azar ilegais para atingir vítimas em países estrangeiros e ocultar a origem dos fundos.