Homem embriagado interrompe ritual de Umbanda e apaga velas
Homem embriagado interrompe ritual de Umbanda em Campo Grande, apagando velas e questionando a cerimônia. Grupo denuncia intolerância e pretende registrar ocorrência.

Um ritual de Umbanda realizado na madrugada de domingo (19) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi interrompido por um homem que apresentava sinais de embriaguez. O incidente, ocorrido em uma rua do bairro Chácara dos Poderes, foi denunciado pelo grupo religioso como um ato de intolerância.
## Detalhes do Incidente
Segundo o líder religioso Everton Arruda Soares, conhecido como Pai Everton de Ogum, o homem parou seu carro em frente ao grupo, desceu com uma garrafa de cerveja na mão e começou a questionar a cerimônia. Ele expressou descontentamento com o que chamou de "macumba e feitiçaria", exigiu que os praticantes deixassem o local e, em seguida, apagou as velas que haviam sido acesas para o ritual. Parte da discussão foi registrada em vídeo pelos integrantes do terreiro e divulgada nas redes sociais.
O ritual interrompido era um "entrega de mão de corte", considerado de grande importância na tradição umbandista, pois concede aos participantes o direito de executar certos ritos religiosos. O líder religioso tentou dialogar com o agressor, que foi confrontado sobre o respeito à sua crença. A polícia foi acionada, mas, segundo relatos, nenhuma viatura compareceu enquanto o homem permaneceu no local.
## Reação e Consequências Legais
Apesar da interrupção, o grupo de umbandistas permaneceu na encruzilhada e conseguiu concluir a cerimônia após a saída do motorista. Pai Everton de Ogum declarou que os praticantes de religiões de matriz africana não devem se intimidar e devem denunciar tais ataques, ressaltando que a religião já sofre perseguição histórica. Ele informou que pretende registrar um boletim de ocorrência formalizando o ocorrido.
O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 208, prevê pena de um mês a um ano de detenção ou multa para quem impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso, com aumento de pena se houver violência. A Lei nº 7.716, de 1989, também tipifica como crime a discriminação ou preconceito por motivo de religião, incluindo a prática de impedir ou empregar violência contra manifestações religiosas. A definição exata do crime a ser aplicado dependerá do andamento da investigação policial.
## Denúncias e Legislação
O grupo de umbandistas utilizou as redes sociais para denunciar o caso, buscando conscientizar sobre a intolerância religiosa. A legislação brasileira prevê punições severas para atos que configurem desrespeito e violência contra práticas religiosas, visando coibir o preconceito e garantir a liberdade de crença. A expectativa é que o registro do boletim de ocorrência dê início a uma investigação policial para apurar os fatos e responsabilizar o agressor, caso comprovada a infração.