Golpes Digitais: Engenharia Social Domina Fraudes Financeiras no Brasil

Golpes financeiros no Brasil usam engenharia social para manipular vítimas, com estelionato crescendo via fraudes digitais. Clonagem de cartão e golpe do Pix lideram.

Golpes Digitais: Engenharia Social Domina Fraudes Financeiras no Brasil

Os golpes financeiros no Brasil evoluíram, deixando de focar exclusivamente em invasões de sistemas para priorizar a manipulação das próprias vítimas. O estelionato se consolidou como o crime patrimonial de maior crescimento no país, impulsionado por fraudes digitais que utilizam a engenharia social, uma estratégia psicológica para persuadir os alvos a realizarem ações que beneficiam os criminosos.

## Principais Táticas e Golpes

Um levantamento do Observatório Febraban, com dados do IPESPE, revela os golpes mais comuns entre os brasileiros. A clonagem ou troca de cartão de crédito lidera, com 45% dos relatos, seguida pelo golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%) e golpe do Pix (24%). O uso indevido do CPF por SMS e a identificação de leilões ou lojas falsas completam o ranking, com 13% e 10% respectivamente.

A engenharia social explora sentimentos como medo, urgência, confiança, solidariedade e a busca por lucro fácil. Criminosos se passam por funcionários de bancos, policiais, servidores públicos ou até mesmo amigos e familiares para obter senhas, códigos de autenticação, induzir a instalação de aplicativos, permitir acesso remoto a dispositivos ou realizar transferências bancárias. A entrega de cartões físicos também é solicitada em algumas dessas abordagens.

## Crescimento Global e Nacional das Fraudes

A tendência de aumento nos golpes financeiros não é exclusiva do Brasil. Um relatório da empresa de segurança digital BioCatch aponta que as tentativas de golpes na América Latina cresceram 155% em 2025. O estudo, que abrangeu dados de 36 instituições financeiras com mais de 300 milhões de clientes, também destacou um aumento superior a cinco vezes no uso de ferramentas de acesso remoto, crescimento de 225% em ataques com malware e alta de 344% em fraudes originadas de celulares roubados. O uso de contas-laranja para movimentar os recursos ilícitos também aumentou 42%.

No Brasil, a fraude por personificação, onde criminosos utilizam dados pessoais para se passar por outras pessoas, disparou, com um aumento de cerca de 140% em 2025, segundo a BioCatch. Essa modalidade se alinha à estratégia de manipulação psicológica que os bancos e instituições financeiras têm combatido com o reforço de seus mecanismos de segurança, levando as organizações criminosas a investirem ainda mais em táticas de engenharia social.