Golpes Digitais Disparam 430% e Superam Medo de Assassinato no Brasil

Golpes e fraudes digitais disparam 430% no Brasil desde 2018, tornando-se o maior temor da população. Paralelamente, feminicídios atingem recorde histórico.

Golpes Digitais Disparam 430% e Superam Medo de Assassinato no Brasil

O Brasil registrou um crescimento expressivo de 430% em golpes e fraudes digitais desde 2018, consolidando-se como o crime mais temido pela população, superando o medo de ser assassinado. A informação foi destacada pela diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, durante a divulgação do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

## Aumento Alarmante de Crimes Patrimoniais

Os dados do anuário indicam que, somente no último ano, ocorreram cerca de 258 golpes por hora, o que equivale a um golpe a cada 15 segundos. Apesar de mais de 2,2 milhões de ocorrências registradas, a taxa de responsabilização é baixa, com pouco mais de 60 mil processos penais e menos de 5 mil prisões por estelionato. Samira Bueno ressaltou que este crime "compensa" devido à dificuldade em punir os autores, gerando uma sensação de impunidade generalizada. Uma pesquisa anterior com o Datafolha já apontava que 85% dos brasileiros temem perder dinheiro em golpes ou fraudes, um índice inédito.

## Feminicídios e Violência Doméstica em Níveis Recordes

Em contrapartida à redução geral das mortes violentas intencionais, que caíram 8,2% no último ano, os crimes contra mulheres seguem uma trajetória preocupante. O anuário registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2024, o maior número da série histórica, com um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Tentativas de feminicídio cresceram quase 6%, o descumprimento de medidas protetivas de urgência aumentou 16%, e o crime de perseguição (stalking) teve um salto de 30%.

## Desafios na Implementação de Políticas Públicas

Samira Bueno apontou uma lacuna significativa entre a legislação de proteção à mulher, considerada avançada, e a efetiva implementação de políticas públicas. Muitas vítimas de feminicídio residem em cidades pequenas, onde o acesso a equipamentos especializados de proteção, como Casas da Mulher Brasileira e Delegacias da Mulher, é restrito. "As mulheres que residem nas cidades menores sequer encontram espaços para buscar ajuda", alertou a especialista, enfatizando a necessidade de expandir esses serviços para além dos grandes centros urbanos e garantir que a Lei Maria da Penha se torne realidade para todas.

## Redução Geral das Mortes Violentas e Desigualdades Regionais

O relatório aponta uma taxa de mortes violentas intencionais abaixo de 20 por 100 mil habitantes em 2025, um marco histórico. No entanto, a redução é desigual entre os estados. Enquanto Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal apresentam índices abaixo de 10 por 100 mil, estados como Amapá (o mais violento pelo sexto ano consecutivo), Bahia, Rio Grande do Norte (com alta de quase 20%), Rondônia, Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro registraram crescimento da violência letal, indo na contramão da tendência nacional.