Ginecologista é investigado por usar óculos com câmera em consulta
Médico ginecologista em Salvador é investigado por suspeita de usar óculos com câmera em exame. Defesa nega irregularidades e alega ausência de gravações.

A Polícia Civil da Bahia investiga um ginecologista em Salvador sob suspeita de utilizar óculos com câmera integrada durante o atendimento a uma paciente. O caso veio à tona após Hosaná Pereira de Santana ser preso em 10 de julho, sendo posteriormente liberado no dia 12 após audiência de custódia, conforme confirmado pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O processo judicial corre em segredo de justiça.
## Detalhes da Acusação e Defesa
A paciente Hosaná Pereira de Santana relatou que o exame ginecológico, realizado em uma clínica particular no bairro Vila Laura, teria ocorrido com o médico portando os óculos equipados com câmera. O caso foi inicialmente registrado na Casa da Mulher Brasileira. Em contrapartida, o filho do médico, Hosanah Filho, emitiu uma nota afirmando que seu pai foi vítima de "acusações infundadas" e que "jamais cometeu qualquer ato ilícito". Ele também refutou a existência de quaisquer gravações encontradas com o profissional.
## Óculos Inteligentes e a Versão da Defesa
Hosannah Filho explicou que seu pai utilizava um modelo de óculos da marca Meta, que possui câmera capaz de capturar fotos e vídeos em alta definição, com ativação por comandos de voz e inteligência artificial. Segundo a defesa, o acessório, que possui lentes de grau, é usado diariamente e sua câmera só pode ser acionada manualmente. A ativação, conforme relatado, é feita de forma visível, com uma luz clara e perceptível, e tal sinal nunca teria sido emitido durante as consultas. A defesa também contestou a informação inicial da Polícia Militar, que teria indicado uma confissão do médico, classificando-a como "narrativa falsa e muito danosa" e alegando que a prisão em flagrante foi considerada ilegal pela ausência de provas e que "a suposta gravação nunca existiu".
## Posição das Autoridades
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou ter conhecimento do caso pela imprensa e que sua corregedoria já instaurou uma sindicância para apurar os fatos. A Polícia Civil da Bahia, ao ser questionada pelo Estadão sobre o andamento da investigação, não forneceu resposta. A Polícia Militar, em nota, esclareceu que as informações preliminares divulgadas à imprensa basearam-se nos elementos coletados no momento da ocorrência, com caráter estritamente inicial, e não se confundem com as provas que serão produzidas durante a investigação criminal.