Gelo e desorientação: Hipóteses para queda de helicóptero em MG

Relatório do Cenipa aponta gelo e desorientação espacial como hipóteses para queda de helicóptero em MG em 2018, que matou duas pessoas. Falha mecânica foi descartada.

Gelo e desorientação: Hipóteses para queda de helicóptero em MG

Um relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou as hipóteses mais prováveis para a queda de um helicóptero em Espírito Santo do Dourado, no Sul de Minas Gerais, em 16 de junho de 2018. A aeronave, um modelo Agusta A109S, transportava o empresário Márcio Bissoli, de 50 anos, e o piloto Luiz Gustavo Araújo Soares, de 39. As investigações não encontraram indícios de falha mecânica que pudessem ter causado o acidente.

## Hipóteses Principais

As conclusões do Cenipa indicam que a formação de gelo durante o voo e a desorientação espacial do piloto foram os fatores mais prováveis para a perda de controle da aeronave. Essas condições, agindo isoladamente ou em conjunto, teriam o potencial de levar à perda de controle em voo. O helicóptero havia decolado de Nova Lima (MG) com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). Cerca de 52 minutos após a partida, o piloto solicitou a transição de voo visual para voo por instrumentos (IFR), ascendendo para aproximadamente 10 mil pés de altitude.

## Condições Meteorológicas e Comportamento da Aeronave

O relatório destacou a existência de um aviso meteorológico (SIGMET) ativo para formação de gelo severo na rota e altitude utilizada pela aeronave. Crucialmente, o helicóptero não possuía certificação para operar em condições conhecidas de formação de gelo. A análise meteorológica indicou alta umidade e temperaturas próximas a 0°C na altitude de voo, condições propícias para o acúmulo de gelo, o que poderia comprometer o desempenho, aumentar vibrações e gerar leituras erráticas nos instrumentos. Nos momentos finais, dados de radar mostraram mudanças sucessivas de direção e uma rápida perda de altitude, um padrão consistente com desorientação espacial, onde o piloto pode perder a noção da posição e movimento da aeronave, especialmente em voo noturno sem referências visuais claras. O piloto chegou a declarar emergência cerca de 17 segundos antes da perda de contato radar.

## Fatores Contribuintes e Conclusão

As investigações confirmaram que os motores operavam normalmente até o impacto, e exames nos sistemas hidráulicos, rotores e combustível não revelaram anormalidades diretas. O planejamento do voo foi classificado como o único fator efetivamente contribuinte, pois a rota escolhida expunha a aeronave a riscos climáticos conhecidos para os quais o modelo não era adequado. A ausência de registros de treinamento recente em simulador para o modelo da aeronave foi considerada um fator de contribuição indeterminado, assim como as condições meteorológicas adversas e a percepção do piloto. O Cenipa classificou o incidente como "perda de controle em voo", culminando em colisão com o terreno após rápida deterioração da situação operacional.