Fraude em livros cita esquema de corrupção anterior em MS
Advogado alega que investigação de fraude em livros (Operação Gutenberg) cita a Lama Asfáltica, pedindo acesso a provas de desvio de R$ 27 milhões.

Uma investigação sobre um suposto esquema de fraude na compra de material paradidático, a Operação Gutenberg, que apura o desvio de mais de R$ 27 milhões em contratos públicos, faz menção a uma operação anterior de grande escala: a Lama Asfáltica. A alegação foi feita pelo advogado André Stuart, que representa quatro presos na Gutenberg e busca acesso a provas que, segundo ele, ainda não foram disponibilizadas à defesa.
Stuart esteve na sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em busca de documentos e informações. Ele afirma que o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que embasou a Operação Gutenberg, com cerca de 2 terabytes de dados telemáticos, e-mails, mensagens e documentos, cita a Lama Asfáltica. Para o advogado, o acesso a essas provas é essencial para garantir o direito pleno à defesa.
A Operação Gutenberg investiga um esquema de fraudes e direcionamento de contratos públicos. Entre os presos estão Ed Carlo Britto Burgatt, ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde, e Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante, uma das empresas sob investigação. Matheus Oliveira Peixoto, filho de Joatan, também está detido.
O advogado destacou que, além do volume de dados, a defesa ainda não teve acesso a todas as peças mencionadas na investigação. A menção à Lama Asfáltica, que apurou suspeitas de desvios em contratos públicos em Mato Grosso do Sul, levanta a possibilidade de conexões entre os esquemas. Rossana Paroschi Jafar, outra presa na Gutenberg, já foi alvo da quarta fase da Lama Asfáltica em 2017.
Dez presos na Operação Gutenberg tiveram a prisão mantida após audiências de custódia. Outras duas investigadas, Rossana Paroschi Jafar e Jessyka Duarte Burgatt, aguardavam análise judicial. A defesa de Jessyka solicitou prisão domiciliar, alegando que ela amamenta um bebê.
A Operação Gutenberg foi deflagrada em Campo Grande (MS) e outras cidades do estado, além de São Paulo e Abadiânia (GO), com o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão. A investigação aponta para um desvio de R$ 27 milhões em contratos para compra de material paradidático.