Filha de chefe do SUS presa é sócia de plano de saúde em MS
Filha do chefe da regulação do SUS em MS é presa como sócia de plano de saúde. Operação aponta fraude de R$ 27 milhões e condicionamento de atendimentos à compra de livros.

A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em Mato Grosso do Sul, resultou na prisão de Jessyka Duarte Burgatt, filha do coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Saúde, Ed Carlo Burgatt. Jessyka, que também foi detida, é empresária e figura como sócia em uma operadora de planos de saúde com sede em Três Lagoas, a Capital Administradora de Convênios e Planos de Saúde Ltda.
As investigações apontam para um esquema criminoso que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em fraudes em contratos públicos. O modus operandi envolvia a aquisição de livros paradidáticos por meio de contratações direcionadas e pagamentos pulverizados, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos. Além disso, o grupo é suspeito de utilizar a influência de servidores públicos da área da saúde para condicionar a liberação de consultas, exames, cirurgias e leitos do SUS à compra dos materiais didáticos comercializados pelas empresas investigadas.
O pai de Jessyka, Ed Carlo Burgatt, ocupava uma posição chave na Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul, sendo o responsável pela regulação estadual de diversos serviços essenciais do SUS. Sua prisão e a de sua filha integram um núcleo familiar investigado pela Operação Gutenberg, que cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em sete cidades de Mato Grosso do Sul, além de pontos em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
A operação atingiu outros núcleos, incluindo empresários ligados a editoras e comércios de livros, donos de postos de combustíveis e casas noturnas, além de profissionais da área da saúde como cirurgiões-dentistas e médicos. A complexidade da investigação sugere um alcance significativo da organização criminosa, que atuava tanto na esfera pública quanto na privada, explorando vulnerabilidades no sistema de saúde e em contratações governamentais.
O esquema de fraudes em contratos públicos, com foco na compra de livros, e a pressão para que pacientes adquirissem esses materiais em troca de acesso a serviços de saúde do SUS, evidenciam uma grave distorção na gestão de recursos públicos e no atendimento à população. A atuação do Gaeco visa desarticular essa rede e coibir práticas que comprometem a eficiência e a ética no setor público.