Fazenda de Maconha: Dois Presos em Operação no Ceará
Dois homens foram presos no Ceará suspeitos de envolvimento na logística de uma plantação com 290 mil pés de maconha em Acopiara. Dois delegados foram exonerados de seus cargos em meio a investigações sobre a conduta na ocorrência.

Duas prisões foram efetuadas nesta sexta-feira (10) no Ceará, em conexão com uma megaoperação que desmantelou uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do estado. Os homens, com idades de 21 e 47 anos, foram detidos em Orós, cidade localizada a aproximadamente 96 km de Acopiara. Eles são suspeitos de envolvimento na logística da plantação e tiveram mandados de prisão temporária cumpridos por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Os nomes dos indivíduos presos não foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). A apreensão, considerada uma das maiores da história do estado, veio à tona após denúncia do deputado federal André Fernandes (PL), que alegou que o local havia sido abandonado pela polícia com parte da droga ainda presente.
## Exoneração de Delegados em Investigação
Paralelamente às prisões, dois delegados da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Vicente de Paula Rodrigues e Marcos Sandro Nazaré de Lira, foram exonerados de seus cargos. A medida é resultado de investigações sobre a conduta deles na ocorrência da plantação em Acopiara. Rodrigues era titular da Delegacia de Acopiara e Lira, delegado seccional da 4ª Seccional do Interior Sul. A exoneração os afasta de funções de chefia, mas não implica perda do cargo de policial civil.
A defesa dos delegados, representada pelos advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas, criticou a instauração do processo administrativo disciplinar, classificando-a como "precipitada e desarrazoada". Segundo eles, faltou um procedimento apuratório preliminar para investigar o caso em sua amplitude, e a decisão demonstra "açuadamento" com contornos de "prejulgamento". A associação de delegados lamentou a "espetacularização" do caso e a "personalização" do problema em duas autoridades, argumentando que isso não condiz com a imparcialidade necessária.
A Polícia Civil, por sua vez, fundamentou a exoneração na Lei nº 13.441/2004, que trata de processos administrativo-disciplinares para policiais civis. A corporação esclareceu que a medida é um "efeito legal automático e temporário", impedindo que policiais respondendo a processo administrativo permaneçam em cargos comissionados ou de chefia durante o julgamento. Os delegados permanecem em atividade, mas fora de funções de comando. A Polícia Civil informou também ter concluído a incineração da droga apreendida.