Famílias de vítimas de queda de avião da Voepass buscam Justiça por indenização
Famílias de vítimas do acidente aéreo da Voepass em SP vão à Justiça por indenização. Relatório do Cenipa aponta falhas que poderiam ter evitado a tragédia.

## Ação Judicial por Danos Morais
Após a conclusão do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) de que a aeronave da Voepass que caiu em 2024, vitimando 62 pessoas, não deveria ter decolado, o advogado que representa a associação de familiares das vítimas anunciou que ingressará com uma ação coletiva por danos morais. Leonardo Amarante, advogado da associação, informou que os elementos apresentados pelo órgão técnico da Força Aérea Brasileira (FAB) serão combinados com os resultados do inquérito da Polícia Federal. A expectativa é que a conclusão do inquérito da PF, prevista para agosto, resulte no indiciamento de possíveis responsáveis pela tragédia.
Além da ação de reparação, a defesa da associação pretende atuar como assistente de acusação no processo penal, caso haja denúncia, buscando a responsabilização criminal dos envolvidos. O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o voo 2283, que partiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto de Guarulhos (SP), caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, resultando na morte de todos os 58 passageiros e quatro tripulantes a bordo.
## Relatório do Cenipa Aponta Falhas Críticas
O relatório do Cenipa apontou dez itens de atenção na lista de equipamentos mínimos da aeronave, incluindo a inoperância do limpador de para-brisas. A regulamentação exigia que, para decolar com essa falha, não houvesse previsão de chuva uma hora antes e uma hora depois da decolagem, nem no destino ou rota alternativa. Contudo, as condições meteorológicas apresentaram-se desfavoráveis. O advogado da associação descreveu o relatório como um documento que "desnudou toda aquela cadeia de omissões e ações" que levaram ao acidente, reforçando a ideia de que a tragédia poderia ter sido evitada com a adoção de medidas mínimas de cautela.
Embora o relatório do Cenipa seja técnico e não vise a apontar culpados diretamente, ele sinaliza a responsabilidade de cada agente envolvido. Os alvos da ação coletiva por danos morais devem incluir a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a ATR (fabricante da aeronave), a própria Voepass, e indivíduos que venham a ser indiciados pela Polícia Federal. A Anac, por sua vez, declarou que analisará as recomendações do Cenipa e apresentará uma análise técnica em até 120 dias, ressaltando que as investigações do órgão têm caráter preventivo e visam ao aprimoramento da segurança operacional da aviação civil.