Falso advogado aplicava golpes enquanto dava dicas de segurança

Operação Revelia desarticula quadrilha de falsos advogados com base em SP que aplicava golpes milionários em Brasília, usando informações de processos reais.

Falso advogado aplicava golpes enquanto dava dicas de segurança

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Operação Revelia, deflagrou nesta quarta-feira (8/7) uma investigação contra uma associação criminosa especializada no golpe do falso advogado. A operação cumpre sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, além de bloqueio de bens, com ações em São Paulo, São Caetano do Sul e Santos, contando com apoio da Polícia Civil paulista.

As apurações indicam que o centro da organização criminosa opera em São Paulo, mas a maioria das vítimas está concentrada no Distrito Federal. O grupo é suspeito de ter causado prejuízos de centenas de milhares de reais a moradores do DF, com golpes individuais variando entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Áudios e conversas interceptados reforçam o envolvimento dos investigados, incluindo um suspeito que admitiu adquirir contas bancárias de terceiros para uso em fraudes.

Um dos detalhes mais chocantes da investigação é que um dos investigados, ao mesmo tempo em que aplicava o golpe do falso advogado, orientava um familiar em uma gravação sobre como evitar cair em fraudes, alertando que "não precisa pagar nada para liberar dinheiro".

## Como funciona o golpe

O golpe explorava informações públicas de processos judiciais. Os criminosos utilizavam nomes e fotos de advogados reais para contatar as vítimas, geralmente via WhatsApp. Apresentavam-se como representantes legais ou de escritórios de advocacia e informavam que a vítima teria valores elevados a receber em processos judiciais. Em seguida, exigiam o pagamento imediato de supostas taxas, custas processuais ou despesas para a liberação do dinheiro, solicitando transferências via Pix ou outros meios eletrônicos. Após receberem os valores, cortavam o contato.

## Organização e métodos

As investigações revelaram um alto nível de organização. Com um dos líderes, foram encontrados 585 cópias de peças processuais e processos judiciais, extraídos do sistema PJe, usados para dar credibilidade às abordagens. Conversas sobre habilitação de chips telefônicos e a compra e venda de contas bancárias de terceiros – as chamadas "contas laranja" – também foram identificadas. Essas contas eram usadas para receber, movimentar e dispersar o dinheiro dos golpes, dificultando a rastreabilidade dos recursos ilícitos.

Em um dos diálogos interceptados, um dos suspeitos ironizava a atuação das autoridades, afirmando que investigações contra ele "nunca dariam em nada". Os envolvidos responderão, em tese, pelos crimes de estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e associação criminosa.