Facções Criminosas Incendeiam Praias Cariocas com Violência
A trégua entre Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro foi rompida, espalhando violência e intimidação pelas praias de Copacabana e Leme. Facções disputam controle do tráfico e extorsão, alterando a rotina de moradores e turistas.

As icônicas praias de Copacabana e Leme, no Rio de Janeiro, tornaram-se o cenário de uma escalada de violência após a ruptura de um antigo acordo entre as principais facções criminosas do estado: o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). A quebra dessa trégua velada, que antes garantia uma convivência pacífica na orla, agora expõe frequentadores e trabalhadores a perseguições, agressões e à circulação ostensiva de armamento, em uma disputa acirrada pelo controle do tráfico de drogas e pela extorsão do comércio local.
O recente aumento da tensão foi evidenciado por imagens de monitoramento capturadas em Copacabana no final de junho. Um vídeo mostra um homem sendo perseguido, abordado e agredido dentro de um estabelecimento comercial, enquanto um indivíduo armado com pistola cruza o local, gerando pânico generalizado e esvaziando mesas de clientes. Relatos de comerciantes anônimos descrevem a situação como rotineira, com entregadores por aplicativo sendo submetidos a revistas e ameaças sob suspeita de ligação com facções rivais. Essa nova realidade, antes restrita às comunidades, agora assombra a orla carioca.
## Guerra Territorial na Orla
A divisão territorial nas praias do Leme e Copacabana reflete a geografia das favelas adjacentes. O lado do Leme, próximo ao Posto 2 e à Avenida Princesa Isabel, é dominado pelo TCP, com base nas favelas Chapéu Mangueira e Babilônia. A área mais extensa de Copacabana é influenciada pelo CV, que se origina dos morros do Tabajaras e Pavão-Pavãozinho. Essa sincronia geográfica facilita a operação dos vendedores de drogas, que obtêm o material nas comunidades para comercializar na areia.
O delegado Paulo Saback, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), explica que o interesse das facções na orla transcende o tráfico tradicional. A alta concentração de turistas e a possibilidade de vender entorpecentes a preços inflacionados elevam a receita das quadrilhas. Além disso, a exploração de serviços como aluguel de motos elétricas e a venda de produtos contrabandeados e falsificados se tornaram fontes de lucro significativas.
## Mudança de Comportamento e Impacto na Economia
A atuação discreta, que antes incluía disfarces de vendedores de doces para oferecer drogas, tem dado lugar a uma postura mais ostensiva. A disputa por pontos de venda e a necessidade de manter o fluxo financeiro para sustentar conflitos em outras regiões, como Niterói, onde o TCP tenta expandir seu domínio, têm levado os criminosos a intensificar a presença e a intimidação na Zona Sul. A preocupação com a expansão do controle econômico sobre os quiosques e ambulantes, com a possível cobrança de taxas de segurança, gera apreensão em um setor que movimenta a economia turística da cidade.