Facção venezuelana Tren de Aragua vira fornecedora de armas
Facção venezuelana Tren de Aragua se consolida no Brasil, expandindo atuação para Sul, RJ e AM. Grupo virou fornecedor de armas para Comando Vermelho, negociando armamento pesado.

A facção venezuelana Tren de Aragua consolidou sua presença no Brasil e se tornou um importante fornecedor de armamento para o Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do país. Diálogos interceptados por autoridades revelam negociações de fuzis, metralhadoras e lança-granadas, evidenciando a nova dinâmica do crime organizado em solo brasileiro.
## Expansão e Aliança Estratégica
O Tren de Aragua, classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista transnacional, não só estabeleceu raízes em Roraima, mas também expandiu suas operações para outras regiões do Brasil. A estimativa das forças de segurança indica a presença de 150 a 250 integrantes nos estados do Sul, além de atuação no Amazonas e Rio de Janeiro. A estratégia do grupo inclui o recrutamento de imigrantes venezuelanos e brasileiros, o domínio de rotas de tráfico de drogas, pontos de prostituição e garimpos ilegais de ouro.
A recente aliança com o Comando Vermelho intensificou o poderio bélico da facção fluminense. Com fornecedores de armas na Colômbia e Venezuela, o Tren de Aragua se posiciona como um dos principais provedores para o grupo brasileiro. A investigação identificou negociações de armamento pesado, como fuzis 7.62, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, destinados a postos de atuação do Comando Vermelho no Rio de Janeiro e no Amazonas. Segundo o delegado Wesley Costa de Oliveira, da Polícia Civil de Roraima, essa movimentação de armamento empodera facções brasileiras e dificulta o combate ao crime.
## Recrutamento e Operações no Sul
O delegado Oliveira aponta que a região Sul do Brasil se tornou um foco de atração para o Tren de Aragua, especialmente em frigoríficos, onde imigrantes venezuelanos são frequentemente recrutados. Essa onda migratória é aproveitada pela facção para se integrar às comunidades e operar de forma discreta. A tríplice fronteira com Paraguai e Argentina é vista como um local estratégico para transações irregulares.
## Métodos de Lavagem de Dinheiro e Morte do Líder
Os métodos de lavagem de dinheiro empregados pelo Tren de Aragua também chamaram a atenção dos investigadores. O grupo utiliza técnicas como o "smurfing", que consiste no fracionamento de depósitos em caixas eletrônicos para evitar alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Além disso, a facção já emprega criptomoedas para movimentar cifras milionárias através de empresas de fachada. Em uma investigação específica, o grupo movimentou mais de R$ 6 bilhões, sendo R$ 428 milhões em transações ilícitas.
Em junho, uma operação conjunta entre Estados Unidos e Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o Niño Guerrero, apontado como o principal líder do Tren de Aragua. Guerrero era foragido e comandava a extração ilegal de ouro e o tráfico de armas de uma base em Las Claritas. As autoridades temem que a morte do líder provoque uma debandada de garimpeiros e integrantes da facção para Boa Vista, capital de Roraima, aumentando a complexidade do cenário de segurança.
## Impacto e Cenário Futuro
A consolidação do Tren de Aragua como fornecedor bélico e sua expansão territorial representam um desafio significativo para as forças de segurança brasileiras. A aliança com facções locais, como o Comando Vermelho, fortalece o crime organizado e demanda novas estratégias de combate e inteligência para lidar com a crescente complexidade do cenário criminal no país.