Ex-diretor do Deic é citado em investigação de lavagem de R$ 10 bilhões do PCC
Corregedoria da Polícia Civil de SP investiga citação de ex-diretor do Deic em esquema de lavagem de R$ 10 bilhões do PCC. Delegado nega envolvimento e diz que foi alvo de calúnia.

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo iniciou um procedimento para investigar a menção ao delegado Fábio Pinheiro Lopes, ex-diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em uma apuração da Polícia Federal. A investigação federal apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.
A citação ao delegado surge em uma decisão da Justiça Federal. Em uma conversa interceptada em maio de 2024, um dos investigados, identificado como Romany, menciona a necessidade de enviar R$ 100 mil para "Fabio Caipira do Deic". Relatório da Polícia Federal associou a expressão ao delegado Fábio Pinheiro Lopes.
A Justiça Federal destacou que a possível destinação dos recursos "aponta para possível prática de corrupção ativa" e que o caso "merece aprofundamento investigativo específico". No entanto, a decisão não indica que o pagamento tenha ocorrido nem formaliza acusações contra o delegado.
Fábio Pinheiro Lopes já havia sido afastado do comando do Deic após ser citado em delação premiada de um empresário assassinado em novembro de 2024. Na época, o delegado negou as acusações e atualmente ocupa a direção do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).
A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria está apurando os fatos e adotará medidas cabíveis caso irregularidades sejam constatadas, reafirmando o compromisso com a legalidade e a transparência.
Em sua defesa, o delegado Fábio Pinheiro Lopes declarou que nunca conheceu os investigados citados pela Polícia Federal e classificou o áudio como "conversa entre bandidos". Ele negou ter recebido qualquer quantia ou mantido contato com a organização criminosa e afirmou que pretende processar o autor da gravação, que registrou boletim de ocorrência por calúnia, difamação e tráfico de influência.
A conversa interceptada ocorreu entre o advogado Romany Cutolo Bonente ("Roma") e o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como responsável pelo núcleo financeiro do esquema. Ambos foram alvos de mandados de prisão pela Operação Exchange, deflagrada em junho de 2024, e são considerados foragidos.