Ex-banqueiro pagou R$ 2 milhões a influenciadores contra BC, diz PF
PF investiga ex-banqueiro Daniel Vorcaro por pagar até R$ 2 milhões a influenciadores para atacar o Banco Central. Operação aponta campanha de desinformação com fundos de fraudes do Banco Master.

A Polícia Federal (PF) aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, desembolsou até R$ 2 milhões para influenciadores digitais com o objetivo de atacar o Banco Central (BC) em plataformas online. A informação é resultado da 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (9) e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
## Campanha de Desinformação
Segundo as investigações, Vorcaro teria utilizado recursos provenientes de fraudes cometidas pelo banco, que teve sua liquidação decretada em novembro do ano passado, para orquestrar uma campanha de desinformação nas redes sociais, denominada "Projeto DV". O objetivo principal seria minar a credibilidade da atuação do BC, instituição responsável pela intervenção no Master.
O ministro André Mendonça determinou a expedição de dois mandados de busca e apreensão em Brasília, destacando a urgência da medida para evitar a dissipação de provas digitais e a gravidade das condutas investigadas, que poderiam interferir em investigações criminais em andamento. A operação também apura indícios de monitoramento ilegal de jornalistas e de pessoas ligadas a autoridades públicas, além da obtenção indevida de informações sigilosas.
## Alvos e Intimidações
Um dos alvos centrais da operação é Thiago Miranda, proprietário da agência Miranda Comunicação (Agência MiThi). As investigações revelaram trocas de mensagens entre Miranda e Vorcaro que indicam tentativas de obter informações privadas sobre a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com o intuito de impedir a publicação de novas reportagens sobre o Banco Master. Diante da impossibilidade de encontrar elementos comprometedores, ambos teriam cogitado a contratação da jornalista, oferecendo um salário elevado e luvas contratuais.
As apurações da PF também sugerem que Vorcaro teria intimidado e coagido influenciadores que recusaram as propostas para participar da campanha contra o BC. A investigação busca desarticular uma possível organização criminosa envolvida na obtenção ilegal de dados sigilosos e na tentativa de interferir em processos judiciais.
## Defesa Nega Irregularidades
Em nota oficial, a defesa de Thiago Miranda refutou categoricamente as acusações, afirmando que seu cliente sempre pautou sua conduta profissional pela legalidade, transparência e respeito às instituições. A defesa ressalta que a existência de uma investigação não implica em culpa antecipada e que as garantias constitucionais, como o devido processo legal e a presunção de inocência, devem ser preservadas. Miranda se colocou à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.