Empresário preso por assassinato tem pedido de liberdade negado em MT

Tribunal de Justiça de Mato Grosso nega habeas corpus a empresário preso por planejar assassinato de amigo em Sorriso após descobrir caso extraconjugal.

Empresário preso por assassinato tem pedido de liberdade negado em MT

## Manutenção da Prisão Preventiva

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de um empresário apontado como mandante do assassinato de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos. O crime ocorreu em março de 2025, em uma distribuidora de bebidas na cidade de Sorriso. O empresário, que é marido de uma médica investigada por fraude processual no mesmo caso, encontra-se detido desde julho do ano passado.

Os desembargadores confirmaram a decisão anterior da juíza convocada Henriqueta Fernanda Lima, que em fevereiro deste ano já havia mantido a prisão preventiva do acusado. A defesa argumentava constrangimento ilegal, alegando quebra da cadeia de custódia de provas, nulidade no recebimento da denúncia e ausência dos requisitos necessários para a manutenção da prisão. No entanto, a corte entendeu que tais alegações demandam análise aprofundada, incompatível com a via do habeas corpus.

## Detalhes do Crime e Investigação

As investigações conduzidas pela Polícia Civil indicam que a vítima, Ivan Bonotto, deu entrada em um hospital de Sorriso com múltiplas perfurações de arma branca, resultantes de um ataque ocorrido na distribuidora de bebidas. Apesar de uma melhora inicial, Ivan veio a falecer em 13 de abril de 2025, após uma parada cardiorrespiratória. Inicialmente, o proprietário do estabelecimento e o autor material das facadas alegaram que o incidente foi motivado por uma briga decorrente do consumo de álcool, com alegações de legítima defesa. Contudo, as investigações posteriores desmentiram essas versões.

A apuração policial revelou que a vítima era um amigo próximo do dono da distribuidora e, supostamente, mantinha um relacionamento amoroso com a esposa do empresário. Diante dessa descoberta, as investigações apontam que o empresário teria contratado um cúmplice para executar Ivan, simulando uma briga no local. Câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi atacada pelas costas, de forma inesperada. Ivan, que residia em Tapurah, costumava pernoitar na casa do casal quando visitava Sorriso.

## Envolvimento da Esposa e Fraude Processual

A médica, esposa do empresário, também é investigada por fraude processual. De acordo com a polícia, ela chegou ao hospital poucos minutos após a entrada de Ivan, apresentando-se como uma "amiga" do paciente com o objetivo de subtrair o celular dele e apagar evidências que ligavam o casal à vítima. Supostamente, ela teria apagado mensagens, fotos e um vídeo que Ivan possuía do executor, devolvendo o aparelho à família dias depois, sob a justificativa de ter removido arquivos para proteger a vítima. A decisão de manter a prisão preventiva baseou-se na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal, diante da gravidade dos fatos apresentados.