Empresário com supostas ligações ao PCC é alvo de sanções dos EUA
Empresário Victor Shimada é sancionado pelos EUA por suspeita de lavagem de dinheiro e ligações com PCC. Investigações no Brasil o conectam ao caso VaideBet e Corinthians.

O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, com supostas ligações a esquemas de lavagem de dinheiro e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), tornou-se alvo de sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos. As autoridades americanas afirmam que Shimada liderava, a partir de São Paulo, uma estrutura que movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, provenientes do tráfico internacional de drogas, utilizando criptomoedas para as transações.
As sanções, emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, visam bloquear bens e proibir transações com Shimada e sua empresa, Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda. Segundo o Tesouro norte-americano, Shimada teria servido como um elo entre integrantes do PCC nos Estados Unidos e traficantes estrangeiros.
No Brasil, Shimada é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público em São Paulo. Uma das frentes de apuração envolve o caso VaideBet, que investiga desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Relatórios da Polícia Civil de São Paulo indicam que a Victory Trading está inserida em um fluxo financeiro que se cruza com empresas citadas em apurações sobre o PCC, como a Wave Intermediações e a UJ Football Talent, esta última associada a um delator que apontou envolvimento de Danilo Lima de Oliveira, conhecido como "Tripa", com a facção.
No entanto, o promotor Lincoln Gakiya, especialista em PCC, afirmou que não há informações no Ministério Público de São Paulo de que Victor Shimada ou suas empresas estejam diretamente ligados à facção criminosa. "Nós não temos informação de que ele faça a lavagem para o PCC", declarou Gakiya, ponderando que as autoridades americanas podem ter obtido provas não acessíveis no Brasil.
Paralelamente às investigações sobre lavagem de dinheiro e supostas conexões com o PCC e o Corinthians, Shimada responde a outros quatro processos criminais no Brasil, sem relação direta com organizações criminosas, incluindo acusações de ameaça, violência doméstica, familiar e injúria.
Outro indivíduo apontado como operador financeiro do grupo de Shimada é Diego Lameiro Diz, de 40 anos, natural de Santos (SP). A Polícia Federal o identificou como responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro. Autoridades norte-americanas chamaram a atenção da PF para mensagens trocadas entre Diz e Shimada sobre a produção de alho em Mendoza, na Argentina, onde Diz atua.
A defesa de Victor Shimada, representada pelo advogado Yuri Cruz, declarou que não teve acesso aos documentos oficiais que fundamentam as sanções americanas e, portanto, impede manifestações específicas. Contudo, Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro, e a defesa afirma que aguarda acesso aos documentos para análise e posterior esclarecimento dos fatos.