Empresa ligada ao PCC recebeu R$ 26 milhões de financiadora de filme de Bolsonaro
Investigação policial revela que empresa financiadora de filme de Bolsonaro repassou R$ 26 milhões para firma suspeita de lavar dinheiro para o PCC em São Paulo.

Uma empresa que financiou o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, a Entre Investimentos, repassou mais de R$ 26 milhões para uma firma sob suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ACX Tecnologia recebeu a quantia exata de R$ 26.225.110,00 entre fevereiro e abril de 2025, segundo um relatório da Polícia Civil de São Paulo.
A Entre Investimentos, registrada em nome de Antônio Carlos Freixo Junior, é a mesma empresa pela qual o banqueiro Daniel Vorcaro teria enviado recursos para o financiamento do documentário sobre o ex-presidente, de acordo com declaração de Flávio Bolsonaro. A investigação, denominada "Operação Saturno", aponta que a ACX Tecnologia, por sua vez, estava em nome de um vendedor de pipas que admitiu ser um "laranja" no negócio.
## Conexões e Suspeitas
O relatório da 2ª Delegacia do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil paulista detalha que a ACX Tecnologia fazia parte de um conjunto de empresas utilizadas para "movimentação espúria de valores, com cifras absurdas, e à margem do sistema financeiro nacional, sem nenhum tipo de controle ou fiscalização". O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também identificou movimentações vultosas, com mais de R$ 918 milhões em transações envolvendo a ACX, onde a Entre Investimentos figurou como remetente de comunicações.
## O Testemunho do "Laranja"
Ericsson Azevedo, 50 anos, o vendedor de pipas que figurava como proprietário da ACX Tecnologia, confessou em depoimento que aceitou R$ 5 mil para que ele e sua esposa aparecessem como donos fictícios da empresa. Ele relatou que sua atividade principal é a venda de pipas e rabiolas através de rifas, com um rendimento estimado de R$ 1.000 por rifa vendida.
## Encaminhamento para a Polícia Federal
Devido às conexões com o banco Master e outras investigações federais, como o escândalo do INSS, a investigação da "Operação Saturno" foi remetida à Polícia Federal. O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 1ª Vara de Organização Criminosa e Lavagem de Bens da capital paulista, concordou com o encaminhamento para evitar duplicidade investigativa e garantir uma compreensão completa dos fatos, dada a aparente integração dos fluxos financeiros com apurações federais.
Além do financiamento do filme e das suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC, a ACX Tecnologia também está sob escrutínio por ter repassado R$ 1,3 milhão para empresas ligadas a ministros do Superior Tribunal Militar (STM) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).