Deputado da BA é condenado a 36 anos por posse de armas ilegais
Deputado estadual Binho Galinha é condenado a 36 anos e 9 meses de prisão por posse irregular de armas de fogo e munições, incluindo armamentos de uso restrito. A decisão judicial também aponta que ele permitiu o acesso de um adolescente a uma arma.

O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (Avante-BA), foi condenado pela Justiça da Bahia a uma pena de 36 anos e 9 meses de prisão por posse irregular de armas de fogo e munições. A decisão, proferida nesta quinta-feira (9), abrange crimes relacionados a armamentos de uso restrito, com numeração adulterada, e também por permitir o uso de uma arma por um adolescente.
A sentença, emitida pela juíza Márcia Simões Costa, da Vara Criminal de Feira de Santana, impôs 10 anos e 6 meses de reclusão por posse de armas de uso permitido e outros 26 anos e 3 meses por crimes envolvendo armamentos de uso restrito. A condenação é um desdobramento da Operação El Patrón, deflagrada em dezembro de 2023, que investiga o deputado por supostamente liderar uma milícia na região de Feira de Santana.
## Arsenal apreendido em imóveis
Durante as investigações, um vasto arsenal foi apreendido em imóveis ligados a Binho Galinha. Entre as armas encontradas estavam um fuzil e uma pistola em um condomínio, um revólver registrado em nome de terceiros, espingardas (incluindo uma artesanal e outra com numeração suprimida) e um revólver adulterado e com registro de furto. A juíza concluiu que o parlamentar utilizava os imóveis para armazenar armamentos em desacordo com as normas para colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) e em locais não declarados ao Exército.
## Permitindo acesso a adolescente
A sentença também considerou que Binho Galinha permitiu que seu filho, à época menor de idade, tivesse acesso a uma arma de fogo. Mensagens extraídas do celular do deputado indicariam que ele orientava o adolescente a manusear um revólver, configurando a conduta no Estatuto do Desarmamento.
A defesa do deputado, representada pelo advogado Gamil Föppel, classificou a decisão como uma "injustiça clamorosa" e repleta de "inconsistências, imprecisões e erros técnicos primários". A defesa argumentou que a pena é desproporcional e que a condenação em primeira instância, sujeita a recurso, não afeta a elegibilidade do deputado, que mantém o mandato e os direitos políticos.
Binho Galinha está preso preventivamente desde outubro de 2025. Apesar da condenação, seu mandato na Assembleia Legislativa da Bahia não foi cassado, e ele pretende concorrer à reeleição em outubro. A ação principal da Operação El Patrón, que apura a suposta formação de milícia, ainda aguarda julgamento.