Delegado e Agentes Presos por Desvio de Drogas na Paraíba

Delegado Braz Morroni e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba são alvo de pedido de prisão preventiva por desvio de 57 kg de drogas, avaliadas em R$ 2,1 milhões.

Delegado e Agentes Presos por Desvio de Drogas na Paraíba

A Polícia Civil da Paraíba pediu a prisão preventiva do delegado Braz Morroni e de dois agentes, Everton Aires e Eduardo Jorge, que já estavam presos temporariamente desde o início de junho, após a deflagração da Operação Perfídus. A investigação aponta que o trio é suspeito de desviar cerca de 57 kg de drogas apreendidas em um apartamento em João Pessoa, em setembro de 2025, um carregamento avaliado em R$ 2,1 milhões.

## Desvio e Fraude Processual

Conforme o relatório final do inquérito, ao qual o Jornal da Paraíba teve acesso, os policiais foram indiciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. A suspeita é que os agentes tenham retirado a maior parte da droga do local da apreensão, onde foram encontrados aproximadamente 60 kg de entorpecentes. Apenas 3 kg foram oficialmente apresentados na delegacia pelo delegado Braz Morroni.

A falsificação de documento público estaria relacionada a um boletim de ocorrência registrado dias após a ação, que apresentava informações divergentes sobre a quantidade de drogas apreendidas. O abuso de autoridade se refere à entrada no imóvel sem autorização judicial, sem mandado e sem situação de flagrante. A fraude processual ocorreu porque apenas uma parte das drogas foi encaminhada para perícia, alterando o conjunto probatório.

## Pedido de Prisão Preventiva

Ao solicitar a prisão preventiva, a Polícia Civil argumentou que "qualquer outra medida cautelar é insuficiente" e que a adoção de outra medida "poderá levar a cabo todo o trabalho policial e ocasionará numa possível fuga e apagamento de provas". O delegado e os agentes permanecem detidos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, com bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados. As suspeitas de tráfico e associação para o tráfico são apuradas em outro inquérito separado para evitar tumulto processual.