Delegado de SP registra BO após ser citado em áudio de investigação
Delegado de SP registra boletim de ocorrência após ser citado em áudio de investigação federal sobre lavagem de dinheiro e PCC. Ele nega qualquer envolvimento.

O diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), delegado Fábio Pinheiro Lopes, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo alegando ser vítima de calúnia, difamação e tráfico de influência. A medida surge após seu nome ser mencionado em uma conversa entre dois investigados pela Polícia Federal em um caso de lavagem de dinheiro. Um dos citados, Victor Henrique de Oliveira Shimada, é alvo de sanção do governo americano por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A investigação foi aberta pela Corregedoria da Polícia Civil após a menção ao delegado em um áudio extraído do celular de Shimada. Na conversa, Romany Cutolo Bonente, identificado como "Roma" e também investigado, mencionaria a necessidade de um pagamento de R$ 100 mil a um indivíduo chamado "Fábio Caipira do Deic", posteriormente identificado como o delegado Fábio Lopes. O delegado, em seu boletim de ocorrência, nega veementemente qualquer relacionamento pessoal ou profissional com os envolvidos e refuta ter solicitado ou recebido qualquer valor financeiro.
De acordo com o documento obtido pela CNN Brasil, Lopes tomou conhecimento do áudio através de reportagem jornalística e afirma que seu nome foi utilizado indevidamente. A menção ao delegado ocorreu em uma mensagem enviada por "Roma" a Shimada na madrugada de 15 de maio de 2024, onde "Roma" expressa dificuldades em administrar valores relacionados às operações financeiras do grupo e menciona a necessidade de enviar R$ 100 mil para "Fabio Caipira do Deic". O áudio também faz menção a outros nomes que a PF suspeita estarem ligados a redes internacionais de tráfico de drogas.
O caso ganha contornos de gravidade pela suposta conexão com investigações de lavagem de dinheiro e possível ligação com o PCC, uma das maiores facções criminosas do Brasil. A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou um procedimento interno para apurar os fatos e a eventual participação do delegado no esquema criminoso, enquanto ele busca se resguardar legalmente através do registro de boletim de ocorrência.