Crime Organizado no Rio: Tráfico e Milícias Dominam Comércio Essencial

Tráfico e milícias no Rio de Janeiro expandem controle para produtos essenciais, como alimentos e materiais de construção, gerando prejuízo de R$ 21,4 bilhões anuais e sufocando a economia formal.

Crime Organizado no Rio: Tráfico e Milícias Dominam Comércio Essencial

Grupos criminosos, incluindo o tráfico e milícias no Rio de Janeiro, expandiram seu domínio para o controle da distribuição de produtos essenciais, como alimentos, itens de limpeza e materiais de construção. Essa nova frente de atuação força comerciantes a adquirir mercadorias de fornecedores indicados pelas facções, gerando uma fonte adicional de financiamento para o crime organizado.

## Impacto Econômico e Consequências

Especialistas alertam que essa prática distorce o mercado, afasta empresas formais e sufoca a concorrência. A longo prazo, o avanço do crime organizado sobre a economia pode comprometer o desenvolvimento do estado. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estima que esse domínio ilegal custa cerca de R$ 21,4 bilhões por ano à economia formal fluminense. Esse prejuízo engloba o impacto da produção, circulação e comercialização de bens sob controle ilícito.

Samuel Rivero, especialista em Segurança Pública da Firjan, destaca que a ilegalidade impõe um custo relevante ao ambiente de negócios, aumentando a concorrência desleal, elevando riscos operacionais e pressionando gastos com logística e segurança. Daniel Cerqueira, economista do Ipea, complementa que, quando o crime se apropria da distribuição e controle de empresas, estas deixam de operar pela lógica de mercado focada em eficiência e competitividade. Em vez disso, passam a operar "puxando a produtividade da economia para baixo", o que, no longo prazo, reduz a capacidade de crescimento sustentável do estado.

## A 'Terceira Onda' do Crime Organizado

O promotor de Justiça Fábio Corrêa, do Ministério Público do Rio, classifica a expansão desse monopólio como a "terceira onda" de atuação do crime organizado. As ondas anteriores envolveram o comércio varejista de drogas e a exploração de serviços como TV clandestina e transporte alternativo. Agora, os grupos criminosos migram para setores da economia formal, controlando o fornecimento de matérias-primas e produtos essenciais. Eles podem impor fornecedores e preços, ou até mesmo criar e administrar suas próprias empresas, muitas vezes sem a necessidade de "laranjas".

## Exemplos Práticos no Dia a Dia

Um exemplo citado é o de um supermercado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que deixou de vender ovos após ser pressionado a comprar o produto de fornecedores ligados ao tráfico. A cartela, antes adquirida legalmente por cerca de R$ 10,50, passou a ser oferecida pelos criminosos por R$ 14. A funcionária do estabelecimento relatou que o preço do pão também disparou, subindo cerca de 200% na região, devido à imposição da compra de farinha dos criminosos, o que resultou em queda na qualidade e redução drástica nas vendas. Rumores indicam que o alho pode ser o próximo produto a ser controlado.