Crime Organizado Atinge Nível Sem Precedentes no Brasil, Alertam Procuradores
Procuradores alertam para nível sem precedentes do crime organizado no Brasil, com facções transnacionais como PCC e Comando Vermelho infiltradas na política e economia. Cooperação internacional é vista como essencial.

O crime organizado no Brasil atingiu um patamar sem precedentes, representando uma das maiores ameaças à democracia do país. A constatação foi feita pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, durante a "Conferência de Consenso", realizada no Ministério Público paulista. O evento reuniu autoridades brasileiras e italianas para discutir estratégias de combate a organizações criminosas que já ganharam caráter transnacional.
Oliveira e Costa destacou que as facções que atuam em território nacional podem ser equiparadas a organizações mafiosas. Essa avaliação é compartilhada por Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco de Presidente Prudente (SP). Segundo Gakiya, tanto o PCC (Primeiro Comando da Capital) quanto o Comando Vermelho já operam como máfias, com o PCC tendo estabelecido presença na Europa. Ele descreveu a situação como uma "cadeia logística" e uma "economia criminosa em expansão contínua", citando a aliança entre o PCC e a 'Ndrangheta, máfia italiana da Calábria, como evidência da natureza transnacional da facção paulista.
## Infiltração e Expansão Global
A infiltração do crime organizado na política e na economia formal foi outro ponto de alerta. Gakiya ressaltou que "não existe crime organizado em qualquer lugar do mundo sem estar de braços cruzados com a corrupção". Giovanni Tartaglia, assessor jurídico do Ministério de Relações Exteriores da Itália, classificou o PCC como um "paradigma de uma geopolítica criminosa", atuando em um ciclo vicioso que envolve atos ilícitos, corrupção e infiltração econômica.
A conferência teve como objetivos principais fomentar a compreensão da ameaça representada pelas organizações criminosas brasileiras e transnacionais, identificar prioridades comuns para a cooperação entre Brasil e Itália em áreas como narcotráfico, lavagem de dinheiro, corrupção e segurança prisional, além de consolidar o diálogo entre diversas instituições e promover uma abordagem multistakeholder permanente.
O evento contou com a participação de outras autoridades importantes, como o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, o procurador-geral de Justiça do Paraná, Francisco Zanicotti, a secretária da ILA, Tatiana Ribeiro Viana, e o ex-ministro do STF, Francisco Rezek, sublinhando a relevância do tema e a necessidade de cooperação internacional para enfrentá-lo.