Criança Yanomami morre após ser baleada em conflito comunitário
Criança Yanomami de 10 anos morre após ser baleada em conflito entre comunidades na Terra Indígena Yanomami. Associações cobram retirada de garimpeiros ilegais e mais segurança.

Uma criança Yanomami de 10 anos faleceu após ser atingida por um disparo de arma de fogo durante um conflito entre comunidades na região do Parima, na Terra Indígena Yanomami (TIY). O incidente ocorreu no dia 2 de julho, segundo informações da Urihi Associação Yanomami. A menina foi baleada na cabeça durante um ataque que envolve há cerca de duas décadas diferentes grupos indígenas.
Waihiri Hekurari, presidente da Urihi Associação Yanomami, explicou que o confronto aconteceu na comunidade Waputha, cujos moradores têm histórico de desavenças com outro grupo da mesma região. "Durante o ataque, atiraram de longe e a bala atingiu a cabeça da criança. Ela foi atendida pela equipe de saúde, tentaram reanimar, mas faleceu", declarou Hekurari, ressaltando que equipes médicas estavam presentes e prestaram os primeiros socorros à menina. Após o falecimento, a comunidade realizou os rituais funerários tradicionais.
Hutukara relaciona violência ao garimpo
A Hutukara Associação Yanomami (HAY) divulgou nota pública, após o ocorrido, manifestando solidariedade às famílias e exigindo ações do poder público para aumentar a segurança no território. A entidade também reforçou a necessidade de retirada imediata de garimpeiros ilegais da TIY, apontando a presença desses invasores como fator que contribui para o aumento da violência e da circulação de armas na região. "Essa violência não nasce da cultura Yanomami. A causa principal dessas mortes e desse sofrimento tem um nome: o garimpo ilegal", afirmou a Hutukara em seu comunicado. A associação destacou a importância dos agentes indígenas de saúde e considerou a morte de profissionais que atuam na área como uma grande perda para o povo Yanomami. A entidade cobrou providências do Governo Federal e das forças de segurança para garantir a proteção das comunidades, crianças e profissionais de saúde, afirmando que "Não haverá segurança para nossas crianças, nem paz para nossas famílias e profissionais de saúde, enquanto o garimpo continuar agindo em nossa terra".
É importante notar que este caso difere de outro recente, onde um Agente Indígena de Saúde (AIS) foi morto a tiros no Polo Base de Xitei, também na Terra Indígena Yanomami. A Urihi esclareceu que este último incidente foi um episódio isolado e não um ataque coordenado ao polo.