Clínicas em Maceió são desmascaradas por fraudar terapias de autismo

Clínicas de Maceió são investigadas por fraude em terapias para autismo e Síndrome de Down, faturando alto com falsificação de horas e laudos. Esquema foi descoberto após inconsistências apontadas pela Unimed.

Clínicas em Maceió são desmascaradas por fraudar terapias de autismo

Um esquema de fraude envolvendo clínicas de terapias para crianças com autismo e Síndrome de Down em Maceió, Alagoas, foi desarticulado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A investigação revelou que instituições médicas faturavam valores expressivos, podendo chegar a R$ 40 mil por paciente ao mês, por meio de práticas fraudulentas.

A descoberta do esquema teve início em 2023, após a operadora de planos de saúde Unimed Maceió identificar inconsistências em auditorias técnicas. Padrões idênticos em laudos médicos, com a mesma redação e erros de pontuação, chamaram a atenção, especialmente em processos judiciais movidos contra a operadora. Documentos apresentavam datas em branco e exigiam terapias por tempo indeterminado, configurando um padrão suspeito.

## Descoberta de Inconsistências Matemáticas e Físicas

As inconsistências se tornaram mais evidentes ao cruzar os dados de faturamento das clínicas credenciadas. A Unimed Maceió constatou que, em suas planilhas, um único terapeuta registrava mais de 24 horas de atendimento em um único dia, uma impossibilidade física e matemática. Diante disso, a operadora acionou o Ministério Público de Alagoas para uma investigação mais aprofundada.

## Vistorias Revelam Fachadas Enganosas

As vistorias realizadas pelos promotores do MPAL expuseram a gravidade da fraude. Em um dos endereços registrados como clínica em funcionamento, os investigadores encontraram um imóvel abandonado, com as entradas lacradas por tijolos. Em outro local, que funcionava como clínica, a adaptação era precária: uma casa com apenas 12 salas, onde a administração alegava realizar 15 atendimentos simultâneos a cada hora.

## Pressão Psicológica e Falta de Qualificação

Para sustentar a farsa das horas terapêuticas cobradas, as clínicas exerciam pressão psicológica sobre os familiares das crianças. Mães e pais relataram que eram coagidos a assinar folhas de ponto em branco ou que atestavam 40 horas semanais de terapia, sob a ameaça de suspensão do tratamento dos filhos, mesmo que a carga horária real fosse significativamente menor, cerca de 22 horas semanais. O controle de frequência e a evolução das crianças eram negados aos responsáveis.

A investigação também levantou preocupações sobre a qualificação profissional das equipes. A proprietária de uma das clínicas confessou que os certificados de formação eram emitidos por uma "escola" pertencente à própria clínica, sem qualquer validação oficial do Ministério da Educação (MEC). O promotor Max Martins destacou que tais práticas não apenas desrespeitam os pacientes, mas comprometem o desenvolvimento físico, psicológico e social das crianças.

## Consequências Legais e Financeiras

Diante das evidências, o Ministério Público ajuizou uma Ação Civil Pública. A Justiça de Alagoas determinou o bloqueio imediato dos repasses financeiros da Unimed para as clínicas envolvidas no esquema, visando coibir a continuidade da fraude e ressarcir os danos causados.