Chiquinho Brazão é alvo da PF em operação contra desvio de emendas

PF investiga Chiquinho Brazão e ex-assessor por desvio de emendas parlamentares. Esquema apura uso indevido de recursos públicos e bloqueio de R$ 100 milhões foi determinado.

Chiquinho Brazão é alvo da PF em operação contra desvio de emendas

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) a Operação Emendatio, que tem como alvo o ex-deputado federal Chiquinho Brazão. A ação investiga um esquema de desvio de emendas parlamentares e é um desdobramento das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime pelo qual Chiquinho Brazão e seu irmão, Domingos Brazão, foram condenados como mandantes.

Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de prisão. Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), foi preso em sua residência na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O outro indivíduo preso é Robson Calixto Fonseca, conhecido como "Peixe", que já estava encarcerado e também foi condenado no caso Marielle.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a expedição de 21 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de R$ 100 milhões em bens dos investigados. Segundo a PF, a investigação aponta que recursos de emendas parlamentares federais, destinados a entidades sem fins lucrativos com contratos públicos, teriam sido desviados. O esquema envolveria pagamentos indevidos, uso de empresas interpostas e mecanismos para ocultar a origem e o destino dos valores.

A PF explicou que os investigados teriam utilizado organizações da sociedade civil (OSCs), pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo para movimentar dinheiro e ocultar patrimônio. Há indícios de repasses feitos por meio de empresas e terceiros, além de suspeitas de irregularidades em parcerias com OSCs, como superfaturamento, conluio entre empresas e inexecução contratual.

É importante ressaltar que este esquema de desvio de emendas não possui qualquer relação direta com o atentado contra a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. A investigação sobre o assassinato segue em curso, e os envolvidos já foram condenados.

Chiquinho Brazão, que também foi alvo de mandados de busca e apreensão, já havia solicitado ao STF, em outra ocasião, prisão domiciliar humanitária devido a problemas de saúde.