Canal da Morte: Depósito a Céu Aberto Reflete Violência no Equador

Canal da Morte, em Guayaquil, Equador, é um depósito a céu aberto de corpos refletindo a violência do crime organizado. Antes para irrigação, virou ponto de descarte de vítimas.

Canal da Morte: Depósito a Céu Aberto Reflete Violência no Equador

Em Guayaquil, Equador, um canal de mais de 45 quilômetros que corta o distrito de Nueva Prosperina, considerado o mais violento da cidade, ganhou o sombrio apelido de "Canal da Morte". Originalmente construído há mais de uma década para irrigação agrícola, o local transformou-se em um depósito a céu aberto para corpos, refletindo a escalada da violência associada ao crime organizado no país.

Moradores relatam que o uso do canal para desovar corpos se intensificou após a pandemia. A água, agora contaminada, e as margens repletas de lixo, cães e urubus compõem um cenário desolador. Uma estrada de terra acompanha o canal, mas a falta de iluminação pública e câmeras de segurança facilita a ação de criminosos, que, segundo testemunhas, controlam o acesso em motocicletas.

O caso de Georgina Bermeo, de 38 anos, e seu marido José Cedeño, de 43, exemplifica a brutalidade do local. Ambos foram vítimas de assalto e executados, com seus corpos posteriormente descartados no canal. A irmã de Georgina, que pediu para não ser identificada por medo, desabafou que a busca por entes desaparecidos agora inclui este local macabro, além dos hospitais e necrotérios tradicionais.

O temor é palpável na comunidade, com relatos de que a polícia pode estar comprometida com os grupos criminosos. "Nosso único pecado é sermos negros", declarou a irmã de Georgina, evidenciando possíveis motivações raciais ou de discriminação em alguns crimes. A desconfiança nas autoridades impede a denúncia formal de muitos casos.

Os números oficiais pintam um quadro alarmante: em 2025, o Equador registrou uma média de um homicídio por hora. Essa estatística sombria se manifesta em locais como o Canal da Morte, onde a vida se torna frágil e a justiça, muitas vezes, inacessível. A situação em Nueva Prosperina é um retrato agudo da crise de segurança que assola o país, forçando famílias a buscar seus entes queridos em locais que deveriam ser apenas canais de irrigação.