Cagepa autuada após rompimento de reservatório que matou idosa
Cagepa é autuada pelo MP-Procon após rompimento de reservatório em Campina Grande que causou morte de idosa e destruição de imóveis.

A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) foi formalmente autuada pelo Ministério Público da Paraíba (MP-Procon) em decorrência do rompimento de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) em Campina Grande, ocorrido em novembro de 2025. O incidente resultou na morte de uma idosa de 62 anos, Maria do Socorro Leal Teixeira de Araújo, que sofria de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e estava acamada.
A autuação, determinada nesta sexta-feira (17), acusa a Cagepa de violar normas de segurança do consumidor. A empresa tem 10 dias úteis para apresentar sua defesa, sob pena de multa cujos recursos seriam destinados ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor. O reservatório em questão, construído em concreto e datado da década de 1960, possuía capacidade para armazenar cerca de 2 milhões de litros de água.
## Tragédia e Destruição
O rompimento da estação gerou uma enxurrada de grande impacto, que causou o colapso estrutural de três residências, a destruição total de três estabelecimentos comerciais e danos em mais de 20 outros imóveis. Diversos veículos foram arrastados e perdidos. A vítima fatal, Maria do Socorro, não conseguiu escapar da inundação em sua residência, localizada próxima ao reservatório. Seu filho, que estava em outro cômodo, ouviu o estrondo e encontrou a mãe sem vida.
## Causas e Consequências
Um inquérito policial concluiu que o colapso estrutural teve origem em falhas de concepção e execução do projeto original, agravadas pela deterioração do solo de sustentação da base do reservatório. Uma vistoria realizada pela Cagepa cerca de seis meses antes do desastre foi considerada ineficaz por não identificar os riscos iminentes de colapso. Além dos danos materiais e da perda de vida, o incidente causou desabastecimento de água em 40 bairros de Campina Grande e em quatro cidades da região metropolitana (Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Areial e Montadas), afetando temporariamente a rotina de milhares de pessoas.
O caso evidencia a necessidade de rigorosas normas de segurança e manutenção em infraestruturas críticas, especialmente aquelas que envolvem o armazenamento de grandes volumes de água, para prevenir futuras tragédias com perdas humanas e prejuízos materiais significativos.