Brasil expulsa suposto espião russo após rede de disfarces vir à tona
Brasil decide expulsar suposto espião russo Sergey Cherkasov, preso em Brasília. Ele fazia parte de uma rede que usava identidades brasileiras como disfarce para atividades de inteligência da Rússia.

O governo brasileiro decidiu abrir caminho para a expulsão de Sergey Vladimirovich Cherkasov, um suposto espião russo detido em Brasília desde 2022. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, prevê o envio de Cherkasov de volta à Rússia, embora a medida só seja efetivada após o cumprimento de sua pena no Brasil ou por decisão judicial.
A suspeita de que o Brasil servia como um "berçário" para agentes de inteligência russos ganhou força no ano passado, após uma reportagem do jornal The New York Times. Investigações da Polícia Federal brasileira teriam identificado ao menos nove indivíduos utilizando documentos brasileiros como disfarce para atividades de espionagem. Parte dessas descobertas foi detalhada em reportagens da BBC News Brasil entre 2022 e 2024, que revelaram como a Rússia teria orquestrado operações diplomáticas para resgatar seus supostos agentes.
Fontes ligadas à investigação indicam que, dos nove supostos espiões russos identificados, Sergey Cherkasov seria o único remanescente em território brasileiro. Foi a partir de seu caso que a complexa rede de disfarces começou a ser desvendada, revelando usos inusitados de identidades, como a de dono de joalheria em Brasília, estudante de forró ou modelo.
## A Descoberta de Cherkasov
Sergey Cherkasov foi detido em abril de 2022 em Amsterdã, na Holanda, ao tentar ingressar no país com a identidade falsa de Victor Muller Ferreira. Ele havia sido aprovado para um estágio não remunerado no Tribunal Penal Internacional, em Haia. Investigações conjuntas entre autoridades holandesas, americanas e brasileiras apontam que Cherkasov era um agente do GRU, serviço de inteligência das Forças Armadas russas. Devolvido ao Brasil, foi preso e condenado por uso de documento falso, com pena reduzida para cinco anos, e cumpre pena em uma penitenciária federal em Brasília. Ele admitiu ter usado documentos brasileiros, mas nega ser espião.
## Rede de Agentes e Disfarces
O caso de Cherkasov abriu portas para a identificação de outros supostos agentes. Em novembro de 2022, a polícia norueguesa prendeu Mikhail Mikushin, que se apresentava como o "brasileiro" José de Assis Giammaria, suspeito de ser um espião russo infiltrado em uma universidade na fronteira com a Noruega. Outro caso envolve Artem Shmyrev, que usava o nome "brasileiro" Gerhard Daniel Campos e desapareceu pouco antes de ser alvo de uma operação da PF.
A reportagem do The New York Times mencionou outras seis pessoas com documentos brasileiros: Yekaterina Leonidovna Danilova, Vladimir Aleksandrovich Danilov, Olga Igorevna Tyutereva, Aleksandr Andreyevich Utekhin, Irina Alekseyevna Antonova e Roman Olegovich Koval. Investigações indicam que Utekhin se passava por empresário de joias em Brasília, enquanto outra suposta espiã usava o nome "Maria Isabel Moresco Garcia" para atuar como modelo.
Segundo a Polícia Federal, as investigações indicam que os supostos espiões não coletavam informações sobre o Brasil. A atuação no país, ao que tudo indica, servia apenas como ponto de trânsito ou base para disfarces.