Baixada Fluminense: 5 cidades concentram 75% de mortes em ações policiais

Relatório revela que 75% das mortes em operações policiais na Baixada Fluminense (RJ) entre 2020-2025 estão concentradas em 5 cidades. Duque de Caxias lidera com 66 mortos.

Baixada Fluminense: 5 cidades concentram 75% de mortes em ações policiais

Um levantamento detalhado sobre operações policiais na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, revela um cenário preocupante: 75% das mortes decorrentes dessas ações, ocorridas entre 2020 e 2025, concentram-se em apenas cinco municípios da região. O estudo, divulgado pelo IDMJRacial (Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial), analisou um período de cinco anos, durante o qual foram registradas 5.298 operações policiais. Essas ações resultaram em um total de 282 mortes, 652 feridos, 5.783 prisões e 41 adolescentes apreendidos.

## Municípios mais afetados e evolução das operações

Duque de Caxias desponta como a cidade com o maior número de vítimas, registrando 66 mortos e 160 feridos no período. Em seguida, aparecem Belford Roxo, com 48 mortos e 127 feridos; São João de Meriti, somando 41 óbitos e 77 feridos; Nova Iguaçu, com 29 mortos e 85 feridos; e Japeri, totalizando 28 mortos e 70 feridos. O ano de 2022 foi o que registrou o maior número de operações, com 1.486 casos, representando um expressivo aumento de 188% em relação a 2021 (515 operações). Nos anos seguintes, houve uma redução, com 1.233 operações em 2023, 1.061 em 2024 e 654 em 2025.

A Polícia Militar foi responsável pela maioria das operações (86%), mas o relatório destaca um crescimento acentuado nas ações da Polícia Civil. Em 2024, a Polícia Civil registrou um aumento de 614% em suas operações em comparação com 2020. O índice de letalidade policial em operações comandadas pela Civil também apresentou crescimento exponencial: em 2024, com 336 operações e taxa de letalidade de 2%, o número de operações caiu para 66 em 2025, mas a taxa de letalidade saltou para 18%.

## Prisões, apreensões e contexto social

Além das mortes, as operações policiais na Baixada Fluminense resultaram em 5.783 prisões entre 2020 e 2025, com um pico em 2024 (1.516 prisões). O relatório também aponta para a apreensão de 41 adolescentes. A pesquisa sugere que a narrativa de "enfrentamento à violência" tem sido utilizada para justificar a militarização dos territórios, associada a projetos de urbanização que visam a valorização imobiliária e a potencial expulsão de moradores.

No período analisado, 5,5% dos fuzis apreendidos em operações policiais corresponderam ao total de apreensões. Veículos confiscados foram majoritariamente motocicletas (60%), seguidas por carros (20%), caminhões (15%) e vans (5%). O estudo ressalta a falta de acompanhamento do estado de saúde das vítimas feridas, impedindo a verificação de possíveis mortes posteriores ou do suporte médico recebido.