Avião que caiu em SP teve 19 fatores de risco, aponta investigação

Investigação aponta 19 fatores para queda de avião da Voepass em Vinhedo (SP), incluindo falhas repetidas no degelo, manutenção inadequada e deficiências na fiscalização.

Avião que caiu em SP teve 19 fatores de risco, aponta investigação

Uma investigação detalhada sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, São Paulo, revelou uma complexa teia de 19 fatores que contribuíram para o acidente, que vitimou 62 pessoas. Entre as vítimas, estavam quatro indivíduos com ligações com Mato Grosso do Sul. O relatório final, divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), destacou falhas graves no sistema de degelo da aeronave, que se manifestaram em três voos consecutivos antes da tragédia.

## Falhas Repetidas no Degelo

As falhas no sistema de degelo, responsável por quebrar e remover o gelo acumulado nas asas e estabilizadores, foram um ponto central na investigação. A primeira ocorrência foi registrada na noite anterior ao acidente, em um voo entre Guarulhos e Ribeirão Preto. Apesar de os pilotos terem reinicializado o equipamento três vezes, contrariando os manuais que permitiam apenas uma tentativa, a pane não foi devidamente registrada no diário de bordo. Apenas uma comunicação verbal a um mecânico e uma inspeção visual foram realizadas, sem testes adequados para identificar o problema.

Na manhã do dia do acidente, em um voo de Ribeirão Preto para Guarulhos, o sistema de degelo falhou novamente, e mais uma vez, a ocorrência não foi documentada. O problema persistiu no voo seguinte, de Guarulhos para Cascavel, já com a tripulação que viria a falecer. Neste último trecho, o avião emitiu alertas de desempenho e necessidade de aumento de velocidade devido à formação de gelo, indicando que a aeronave operava abaixo da velocidade mínima segura para as condições enfrentadas.

## Cultura de Segurança e Fiscalização em Xeque

Além das falhas mecânicas e de manutenção, o relatório do Cenipa apontou deficiências na cultura de segurança da empresa Voepass e na fiscalização exercida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A sequência de problemas não registrados e a aparente falta de rigor na manutenção e comunicação de panes sugerem uma falha sistêmica na gestão da segurança operacional. A investigação abrangeu desde decisões tomadas pela tripulação até as condições meteorológicas no momento do acidente, integrando todos esses elementos para formar o quadro completo de 19 fatores contribuintes.

A queda ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o avião ATR 72-500, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), perdeu o controle e colidiu com um condomínio residencial em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulantes, morreram. Entre as vítimas com vínculos com Mato Grosso do Sul estavam o policial rodoviário federal Hiales Carpine Fodra, sua esposa Daniela Schulz Fodra, a fisioterapeuta Kharine Gavlik Pessoa Zini e Laiana Vasata, ligada a um grupo empresarial com histórico no estado.