Avião da Voepass tinha falhas no degelo antes de cair, diz investigação
Relatório do Cenipa revela que avião da Voepass tinha falhas no sistema de degelo não registradas antes da queda em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas. Investigação apontou 19 fatores contribuintes.

Um relatório final divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aponta que o avião da Voepass, que caiu no interior de São Paulo há quase dois anos, já apresentava falhas no sistema de degelo das asas. Segundo a investigação, nos três voos anteriores à queda, foram identificados problemas no equipamento, que não foram relatados nos diários de bordo da aeronave, contrariando a legislação.
## Cultura Organizacional Questionada
O documento concluiu que havia uma forte cultura organizacional de não fazer registros, com informalidade e a realização de serviços auxiliares por mecânicos sem supervisão. O Cenipa analisou 1.206 voos realizados entre agosto de 2023 e a data do acidente. O relatório final reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) para identificar todos os fatores que contribuíram para a tragédia.
## Detalhes do Acidente e Vítimas
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) em 9 de agosto de 2024, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante a aproximação para pouso em São Paulo, a aeronave ATR 72-500 perdeu sustentação rapidamente e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior paulista. As primeiras informações da investigação indicaram que a aeronave enfrentava condições severas de formação de gelo. O piloto chegou a relatar problemas no sistema de degelo, e os gravadores registraram alertas de perda de desempenho. Todas as 62 pessoas a bordo – 58 passageiros e quatro tripulantes – morreram no acidente. Entre as vítimas estava a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, especialista em tamanduás, que seria cremada em Campo Grande (MS). A mãe de uma criança que morreu no acidente expressou sua angústia, afirmando: 'Não é possível que se normalize essa insegurança'.