Áudios Revelam Agente da Polícia Civil em Desvio de Drogas na PB
Áudios revelam agente da Polícia Civil da PB, Everton Aires "Bomba", envolvido em esquema de desvio de drogas. Delegado e outro agente também são indiciados.

Áudios de um inquérito da Polícia Civil da Paraíba revelam a atuação de agentes em um esquema de desvio de drogas apreendidas pela corporação. As gravações, obtidas pelo g1 e divulgadas pelo Jornal da Paraíba, detalham a participação do agente Everton Aires, conhecido como "Bomba", em conjunto com o delegado Braz Morroni e o agente Eduardo Jorge ("Mão Branca"). Todos foram indiciados pela Polícia Civil.
Segundo a investigação, os áudios foram gravados em setembro de 2025, pouco tempo após o grupo ter invadido um apartamento em João Pessoa para subtrair entorpecentes. Na conversa, "Bomba" descreve a separação das drogas apreendidas, mencionando "floripa", "natural" e "pó", além de "haxixe". "Essa parte todinha de natural, essa parte floripa, essa parte toda aí eu deixei com o meu menino ali. Aí meio quilo de pó... e o pó é bom, visse? E o haxixe eu deixei separado, pra deixar contigo", diz o agente nos áudios.
## Detalhes da Investigação e Indiciamentos
Além do áudio, um documento da investigação detalha os indiciamentos. O delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge foram indiciados pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Um outro inquérito investiga os mesmos suspeitos por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Os três estão presos temporariamente desde a "Operação Perfídus", deflagrada no início de junho. A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados, além de cumprir nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão.
## Posição das Defesas e Próximos Passos
A defesa de Everton Aires informou não ter conhecimento sobre a conclusão do inquérito. A defesa de Eduardo Jorge declarou que aguarda um processo "democrático, justo e honesto". As defesas de Braz Morroni não responderam aos contatos até a publicação das reportagens.
A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva dos três suspeitos, considerando que "qualquer outra medida cautelar é insuficiente". A investigação foi dividida para evitar tumulto processual e garantir a análise clara das provas. A Polícia Civil apontou Everton Aires como operador central da organização, fazendo a ligação entre policiais e traficantes. Eduardo Jorge é apontado como participante direto na subtração de drogas, monitoramento de carregamentos e ocultação de entorpecentes.