Áudio revela esquema para delegado receber dinheiro do tráfico
Áudio revela detalhe de esquema para delegado Braz Morroni receber R$ 60 mil em dinheiro vivo do tráfico para não ser rastreado. Delegado e agentes estão presos na Operação Perfídus.

Um áudio divulgado pela Polícia Civil da Paraíba detalha um suposto esquema para que o delegado Braz Morroni recebesse R$ 60 mil provenientes do tráfico de drogas sem deixar rastros. Morroni, juntamente com os agentes Everton Aires (conhecido como Bomba) e Eduardo Jorge (conhecido como Mão Branca), segue preso temporariamente desde a Operação Perfídus, deflagrada em junho. A Polícia Civil concluiu o inquérito que pediu a prisão preventiva de Morroni.
## Detalhes do Esquema
Nos áudios, o agente Everton Aires, o Bomba, instrui um homem identificado como Isaque Pontes Costa (Shelby) a enviar R$ 60 mil para a conta bancária da construtora de Eduardo Jorge, o Mão Branca. Segundo Bomba, o montante seria sacado por Mão Branca e entregue ao delegado Braz Morroni em espécie. Morroni teria optado por receber o dinheiro em dinheiro vivo para evitar o rastreamento de transações eletrônicas, como o Pix. "O delegado quer receber a parte dele em cash, aí eu disse a ele: “meu filho, se eu estou recebendo do Pix, eu vou fazer Pix, eu não vou sacar dinheiro não”, relata Everton Aires em uma das gravações.
Shelby, por sua vez, sugere o envio via Pix, mas explica que utiliza contas de terceiros mediante pagamento mensal para dificultar seu rastreamento pelas autoridades. As investigações apontam que o valor de R$ 60 mil seria referente ao desvio e venda de 57 kg de drogas, apreendidas em setembro de 2025. Na ocasião, essa quantidade de entorpecentes foi furtada de uma apreensão.
## Operação Perfídus
A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação resultou no cumprimento de nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.
Entre os presos, destacam-se Everton Rychelyson da Silva Aires, o "Bomba" ou "Bombado", apontado como operador central da organização e responsável pela ligação entre policiais e traficantes. Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o "Mão Branca", é apontado como participante direto em subtrações de drogas, monitoramento de carregamentos e ocultação de entorpecentes. Outros indivíduos detidos na operação incluem João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha"), José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira"), Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau"). A defesa de Braz Morroni não se pronunciou sobre o caso até o momento.