Americana que ofendeu criança com racismo arrecada R$ 4,4 milhões em vaquinha

Americana Shiloh Hendrix, condenada por racismo contra criança autista, arrecadou R$ 4,4 milhões em vaquinha online. Recursos visam segurança e custos jurídicos após sentença.

Americana que ofendeu criança com racismo arrecada R$ 4,4 milhões em vaquinha

Shiloh Hendrix, condenada por "conduta desordeira" após proferir insultos racistas contra um menino autista de 8 anos em um parque de Minnesota, nos Estados Unidos, arrecadou mais de US$ 859 mil (aproximadamente R$ 4,4 milhões) em uma campanha de financiamento coletivo. A arrecadação foi lançada após a viralização de um vídeo da discussão nas redes sociais, que gerou ampla repercussão negativa.

## Vaquinha e Defesa

A campanha, hospedada na plataforma GiveSendGo, que frequentemente recebe doações para causas de extrema direita, contou com mais de 30 mil contribuições. Em sua descrição, Hendrix alegou que ela e sua família passaram a sofrer ameaças, tiveram dados pessoais expostos online e precisaram se mudar. Os recursos arrecadados, segundo a justificativa, seriam destinados a cobrir despesas com segurança, custos legais e apoio para a reconstrução da vida familiar.

A plataforma GiveSendGo, em nota ao jornal britânico The Guardian, esclareceu que não endossa necessariamente as opiniões ou ações dos organizadores de campanhas, mas defendeu a manutenção da arrecadação com base na liberdade de oferecer ajuda financeira, mesmo em casos controversos.

## O Caso e o Veredito

O incidente ocorreu em abril de 2025, em um parquinho infantil. A mulher acusou o menino, descrito pela família como "profundamente e visivelmente autista", de ter pego um sachê de purê de maçã de sua bolsa. Em seguida, ela teria repetidamente dirigido insultos racistas à criança, conforme registrado pelo homem que presenciou e filmou a cena. O vídeo rapidamente se espalhou pela internet.

Nas imagens, Hendrix aparece com um bebê no colo e admite ter usado o insulto, justificando que poderia chamá-lo daquela forma "se é assim que ele age". Ela também insultou o homem que filmava.

Na última quinta-feira, um júri considerou Hendrix culpada pela infração contra o homem que gravou o vídeo, mas a absolveu da acusação diretamente relacionada à criança. A sentença inclui uma multa de US$ 1 mil (cerca de R$ 5,1 mil), um ano de liberdade condicional, 200 horas de trabalho comunitário e 90 dias de prisão, com a possibilidade de suspensão da pena caso os termos da liberdade condicional sejam cumpridos.

## Repercussão da Sentença

Walé Elegbede, presidente da filial de Rochester da NAACP, descreveu o veredito como um "resultado misto" e decepcionante. Ele ressaltou que as palavras e ações de Hendrix causaram "enorme medo e trauma a uma criança indefesa" e serviram como um "doloroso lembrete de que o ódio representado por aquela palavra ainda existe".

A promotoria de Rochester afirmou que a condenação reconhece a gravidade do episódio e destacou que a acusada admitiu ter tido uma conduta "odiosa e racista" contra uma criança com deficiência, demonstrando falta de remorso. "O Estado reconhece o que tornou esse incidente tão doloroso para muitos, em nossa comunidade e além: a Sra. Hendrix admitiu integralmente sua conduta odiosa e racista contra uma criança com deficiência e outras pessoas, e lucrou imensamente sem demonstrar qualquer remorso", declarou a promotoria.