95% dos postos de combustíveis do RJ em situação irregular; crime organizado é suspeito
Quase todos os postos de combustíveis do Rio de Janeiro (95%) estão irregulares com a Fazenda, abrindo espaço para o crime organizado lavar dinheiro e cometer fraudes fiscais.

A vasta maioria dos postos de combustíveis no Rio de Janeiro, cerca de 95,23%, encontra-se em situação irregular perante a Secretaria Estadual de Fazenda. Este alto índice de irregularidade, segundo autoridades estaduais e federais, está associado à crescente influência do crime organizado no setor. A falta de envio ou o envio incompleto de informações sobre compra e venda de combustíveis pelos estabelecimentos compromete o trabalho de auditoria fiscal e cria um ambiente propício para atividades ilícitas.
## Fraudes Fiscais como Fonte de Financiamento
O Secretário Estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, destacou que as fraudes tributárias se tornaram uma das principais fontes de financiamento para organizações criminosas. A ausência de dados sobre movimentação de combustíveis impede a fiscalização de irregularidades, fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. No Rio de Janeiro, dos 2.205 postos registrados, 2.100 foram notificados no último mês por falhas nas declarações fiscais obrigatórias. Mercês ressaltou que "As fraudes fiscais se tornaram a principal fonte de recursos do crime organizado de forma geral".
## Aumento da Fiscalização e Infrações no Transporte
O reforço na fiscalização também revelou um aumento expressivo nas infrações relacionadas ao transporte de combustíveis. No mês passado, as barreiras fiscais aplicaram R$ 1,78 milhão em multas contra caminhões com documentação irregular ou sem nota fiscal, um crescimento de 482% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o secretário, esse aumento se deve à reestruturação das barreiras fiscais promovida pelo governo estadual.
## Lavagem de Dinheiro e Atuação do Ministério da Justiça
Além da sonegação, a lavagem de dinheiro é outro ponto de preocupação. Postos de combustíveis estariam sendo utilizados para dar aparência de legalidade a recursos de atividades criminosas, como tráfico de drogas e corrupção. O dinheiro ilícito é inserido no caixa como se fosse proveniente das vendas, dificultando o rastreamento. O Ministério da Justiça e Segurança Pública indicou que mais de mil postos no estado podem ter ligação com organizações criminosas. Para combater essa situação, o ministério anunciou a criação de uma força-tarefa para integrar órgãos de investigação.
## Investigações em Andamento
Investigações recentes reforçaram o foco das autoridades no setor. Uma operação da Polícia Federal apura uma rede de postos suspeita de movimentar mais de R$ 7 bilhões em lavagem de dinheiro, com investigados como o ex-prefeito Márcio Canella e o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim. Outra investigação envolve o deputado estadual Thiago Rangel, sob acusação de desvio de recursos da educação, com postos ligados a ele sendo investigados por fraudes de "bomba baixa", onde abastecem menos combustível do que o cobrado. O setor de combustíveis, por meio de representantes, manifestou apoio ao endurecimento da fiscalização e à integração entre os órgãos.