Variedade alimentar infantil: qualidade supera quantidade, aponta estudo

Estudo do Instituto Pensi revela que a qualidade dos alimentos na dieta infantil é mais importante que a variedade. Jovens que comem mais tipos de pratos podem ingerir mais ultraprocessados, comprometendo a nutrição.

Variedade alimentar infantil: qualidade supera quantidade, aponta estudo

Uma pesquisa recente conduzida pelo Instituto Pensi, através do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (Cenda), desafia a crença popular de que quanto maior a variedade de alimentos consumidos por crianças e adolescentes, mais saudável será sua dieta. O estudo, que analisou 237 jovens com histórico de dificuldades alimentares, publicado na revista Recent Progress in Nutrition, sugere que a qualidade dos alimentos no repertório é um fator mais determinante do que a mera diversidade.

## A Complexidade da Seletividade Alimentar

A introdução alimentar, iniciada nos primeiros meses de vida, é um processo crucial que envolve a oferta contínua de alimentos adequados à idade, respeitando o desenvolvimento do bebê. Com o crescimento, é natural que surjam preferências e a seletividade alimentar, geralmente entre um e dois anos de idade. Essa fase, caracterizada por recusas a certos alimentos, texturas ou sabores, pode ser transitória e superada com paciência e exposição adequada. No entanto, quando persistente, gera preocupação em pais e cuidadores.

Práticas como permitir que a criança escolha o que comer, substituir refeições planejadas por alternativas menos nutritivas ou o consumo precoce de ultraprocessados, como biscoitos e bebidas açucaradas, podem impactar negativamente o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. Estima-se que entre 20% a 30% das crianças neurotípicas apresentem algum grau de dificuldade na experimentação alimentar, com pico de prevalência entre dois e seis anos. Problemas clínicos e sensomotores orais também podem limitar a aceitação de novos alimentos, necessitando de avaliação profissional.

## Qualidade Nutricional em Foco

Os resultados do estudo do Instituto Pensi indicam que um repertório alimentar extenso não é garantia de uma dieta de alta qualidade. No grupo investigado, jovens que aceitavam um maior número de alimentos não necessariamente apresentavam as dietas mais saudáveis. Observou-se que, com o aumento da idade, crescia o número de alimentos aceitos – quase 20 para menores de dois anos e cerca de 30 para adolescentes. Contudo, uma parcela considerável desse aumento era composta por itens ultraprocessados, como salgadinhos e sobremesas.

Isso demonstra que, embora a variedade tenha aumentado, a qualidade nutricional não acompanhou na mesma proporção. A pesquisa ressalta a importância de priorizar alimentos nutritivos e minimamente processados, mesmo que a gama de opções aceitas pela criança seja inicialmente menor. A orientação de nutricionistas é fundamental para guiar pais e cuidadores na promoção de uma alimentação equilibrada, focando nos benefícios nutricionais em detrimento da simples quantidade ou variedade de alimentos consumidos.