UTI Pediátrica em São Luís opera com falta de médicos e leitos

Defensoria Pública do Maranhão aponta grave deficiência de médicos, fisioterapeutas e medicamentos em UTIs pediátricas de hospital em São Luís.

UTI Pediátrica em São Luís opera com falta de médicos e leitos

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, localizado em São Luís, Maranhão, enfrenta uma grave crise operacional. Uma inspeção realizada pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA) revelou um cenário preocupante, com número insuficiente de médicos, falta de medicamentos, déficit de fisioterapeutas especializados e falhas na gestão de leitos.

## Falta Crítica de Profissionais

Durante a vistoria, que ocorreu na quarta-feira (15) e cujos resultados foram divulgados na sexta-feira (17), os 28 leitos das três UTIs pediátricas estavam completamente ocupados. No entanto, a equipe médica presente contava com apenas um médico plantonista em cada uma das unidades, totalizando três profissionais para atender a todos os pacientes. Essa quantidade está aquém das recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que, pela Resolução RDC nº 7/2010, prevê a necessidade de seis médicos nas UTIs, incluindo plantonistas, diaristas e coordenadores técnicos. A inspeção também constatou a ausência dos médicos diaristas e dos responsáveis técnicos, além de um plantonista sem a especialização necessária em Pediatria ou Terapia Intensiva Pediátrica, e acúmulo de funções entre coordenadores e plantonistas.

## Outras Irregularidades Apontadas

Além do quadro médico reduzido, a Defensoria Pública registrou relatos de pais e profissionais sobre a falta de medicamentos essenciais na unidade. Em alguns casos, foi preciso recorrer à substituição temporária de medicamentos por outras opções até a reposição dos estoques. A equipe de fisioterapia também se mostrou desfalcada, com apenas dois profissionais atuando nas três UTIs, sendo que apenas um possuía a qualificação exigida para terapia intensiva pediátrica. A gestão de leitos também foi alvo de críticas, com crianças esperando dois dias ou mais por uma vaga após indicação médica, devido a um processo interno de liberação de leitos antes de acionar centrais de regulação externas. O tempo médio de permanência nas UTIs, entre 16 e 21 dias, também contribui para a baixa rotatividade das vagas.

O relatório final da inspeção ainda está em fase de conclusão pela DPE-MA, e a identidade de pacientes, familiares e profissionais de saúde será preservada conforme a legislação.