Ultraprocessados Ligados a Doenças Inflamatórias Intestinais

Estudo revela que alimentos ultraprocessados desequilibram a microbiota intestinal, aumentando risco de doenças inflamatórias como Crohn e retocolite ulcerativa.

Ultraprocessados Ligados a Doenças Inflamatórias Intestinais

Uma análise abrangente de estudos científicos internacionais, conduzida por pesquisadores brasileiros da Unesp e Unicamp em colaboração com a Aalborg University, da Dinamarca, revelou uma forte associação entre o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais (DIIs). A pesquisa, que revisou dez artigos científicos relevantes, destaca como os aditivos presentes nesses produtos alteram o delicado equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo o surgimento de condições crônicas como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

## Impacto na Microbiota Intestinal

Alimentos como cereais matinais, iogurtes industrializados, macarrão instantâneo e pães de forma, que se tornaram recorrentes na dieta moderna, são desenvolvidos com a adição de corantes, adoçantes, emulsificantes e estabilizantes. Essas substâncias, além de conferir características mais atraentes aos produtos, prolongam sua vida útil. Entretanto, segundo os pesquisadores, o alto consumo desses itens tem levado a uma redução na diversidade de bactérias benéficas no intestino e a um aumento de micro-organismos nocivos. Esse desequilíbrio inflamatório intestinal é um fator chave para o desenvolvimento das DIIs.

Ligia Yukie Sassaki, médica gastroenterologista e professora da Faculdade de Medicina de Botucatu, uma das autoras do estudo, explica que muitas pessoas desconhecem o poder da alimentação em modular a microbiota. Uma dieta rica em fibras, por exemplo, promove a produção de ácidos graxos de cadeia curta, essenciais para o bom funcionamento do organismo e para o equilíbrio intestinal, resultando em uma microbiota mais saudável. Em contrapartida, o consumo exclusivo de ultraprocessados gera uma microbiota pró-inflamatória.

## Consequências para a Qualidade de Vida

As doenças inflamatórias intestinais impactam severamente a qualidade de vida dos pacientes, manifestando-se através de sintomas como diarreia crônica, dores abdominais intensas e fadiga extrema. Esses sintomas podem comprometer significativamente a capacidade de trabalhar, estudar e manter uma vida social ativa. O estudo aponta para um crescimento preocupante na incidência dessas doenças, inclusive em regiões como América Latina, Ásia e África, historicamente associadas a baixas taxas de DIIs. A pesquisa, publicada na revista Nutrients, reforça a necessidade de maior conscientização sobre os riscos associados aos alimentos ultraprocessados e a importância de uma dieta equilibrada para a saúde intestinal e o bem-estar geral.