Sintomas de câncer colorretal são conhecidos, mas ação é tardia no Brasil

Pesquisa indica que brasileiros reconhecem sintomas graves de câncer colorretal, mas demoram a buscar ajuda médica. Baixo conhecimento sobre exames preventivos agrava o cenário.

Sintomas de câncer colorretal são conhecidos, mas ação é tardia no Brasil

Apesar de reconhecerem a gravidade de sintomas como sangue nas fezes e alterações prolongadas no funcionamento intestinal, a maioria dos brasileiros ainda demonstra hesitação em procurar atendimento médico imediato, segundo uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus. O levantamento, que entrevistou mais de 2 mil pessoas em todo o país entre 25 e 30 de junho de 2026, aponta que 8 em cada 10 brasileiros identificam esses sinais como potencialmente graves, indicativos de câncer colorretal.

## Conhecimento versus Ação

O estudo revelou que 67% dos entrevistados concordam que sangue nas fezes ou mudanças persistentes no hábito intestinal (mais de um mês) podem ser sinais de câncer colorretal, com 24% expressando concordância total. No entanto, essa conscientização não se traduz em ação rápida. Dos 9% que relataram ter notado sangue nas fezes, apenas 59% buscaram ajuda médica de imediato. Os demais apresentaram comportamentos variados: 19% esperaram o sintoma passar, 10% adiaram a consulta por dias ou semanas, 7% optaram por remédios caseiros ou mudanças alimentares, 3% compraram medicamentos por conta própria em farmácias e 1% buscou informações na internet antes de procurar um profissional.

## Desconhecimento sobre Exames e Diagnóstico Precoce

A pesquisa também evidenciou um baixo conhecimento sobre exames preventivos. Cerca de 67% dos participantes nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), um método chave para a detecção precoce. Apenas 11% já realizaram o exame, e 21% o conhecem, mas nunca o fizeram. O desconhecimento é ainda mais acentuado entre jovens de 16 a 24 anos (85%), homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e com escolaridade fundamental (72%). O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal anualmente no Brasil para o triênio 2026-2028, tornando a doença a segunda mais incidente no país. Especialistas reforçam a importância de buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes e de realizar exames preventivos a partir dos 45 anos, ou antes, dependendo do histórico familiar, para aumentar as chances de cura.