Sedentarismo Prolongado Aumenta Risco de Morte por Câncer em 9%

Novo estudo do UK Biobank associa sedentarismo prolongado a aumento de 9% no risco de morte por câncer. Atividade física regular e caminhar rápido são apontados como estratégias para mitigar o perigo.

Sedentarismo Prolongado Aumenta Risco de Morte por Câncer em 9%

Um novo estudo publicado na revista científica PLOS Medicine lança um alerta sobre os perigos do sedentarismo prolongado e sua ligação direta com um risco aumentado de morte por câncer. A pesquisa, que analisou dados de mais de 91 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados biomédicos do mundo, indica que cada hora adicional de comportamento sedentário ininterrupto ao longo do dia pode elevar em 9% a probabilidade de falecer devido a tumores.

## A Diferença Entre Sedentarismo Prolongado e Interrompido

Ao contrário de pesquisas anteriores que focavam no tempo total gasto em sedentarismo, este estudo distingue entre períodos de inatividade prolongada e interrupções frequentes. Os participantes foram monitorados por sete dias com o uso de dispositivos de atividade e acompanhados por aproximadamente 12 anos. A análise categorizou o comportamento em três grupos: sedentarismo prolongado (períodos de no mínimo 30 minutos com mais de 90% do tempo em inatividade), comportamento sedentário interrompido (períodos de inatividade com duração inferior a 30 minutos ou intercalados com atividade) e graus variados de atividade física.

## Cânceres Associados e o Impacto da Atividade Física

O estudo aponta que o sedentarismo prolongado está particularmente associado a um maior risco de mortalidade por cânceres ligados à obesidade e ao diabetes tipo 2. Entre eles estão tumores de esôfago, fígado, rim, pâncreas, colorretal, mama, ovário e tireoide. Em contrapartida, o comportamento sedentário interrompido apresentou um padrão oposto, associado a um risco menor de mortalidade por câncer em todos os desfechos analisados.

A pesquisa sugere que substituir uma hora diária de sedentarismo prolongado por atividade física leve pode reduzir em 12% o risco de morte por câncer. Outro estudo australiano, envolvendo mais de 11 mil mulheres, já havia demonstrado que seguir as diretrizes de atividade física na meia-idade pode reduzir pela metade o risco de morte prematura.

## Caminhar Rápido: Um Aliado na Longevidade

Além disso, a pesquisa reforça a importância da velocidade ao caminhar para a expectativa de vida. Indivíduos que caminham em um ritmo de aproximadamente 4,8 km/h (cerca de 100 passos por minuto) tendem a viver mais, independentemente do índice de massa corporal (IMC). A análise de dados de quase meio milhão de pessoas indicou que caminhantes rápidos apresentaram maior longevidade em comparação com caminhantes lentos (1,6 a 3,2 km/h). Os pesquisadores alertam que, embora o aumento da atividade física em idades mais avançadas ainda seja benéfico, a adesão a um estilo de vida ativo de longo prazo é crucial para obter os maiores efeitos protetivos.