Saúde Fluvial: Atendimento Médico Chega a Ribeirinhos do Amazonas
Projeto 'SUS na Floresta' leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas isoladas no Amazonas, utilizando postos de saúde em bases da FAS para consultas presenciais e telemedicina.

Comunidades ribeirinhas no Médio Rio Juruá, em Carauari (AM), agora contam com atendimento médico facilitado graças à inauguração de dois novos postos de saúde. Anteriormente, moradores como Aldeniza Silva e Silva, grávida de sete meses, precisavam enfrentar viagens de até três dias de barco para chegar à zona urbana do município e realizar consultas de pré-natal. Essa dificuldade de acesso é uma realidade para milhares de habitantes da região, onde rios são as únicas vias de transporte devido à ausência de rodovias.
## Ampliação do Acesso à Saúde
Os novos pontos de atendimento, localizados nas bases da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) nas regiões de Campina e Bauana, foram inaugurados na última semana. A estrutura conta com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico e conexão à internet para teleconsultas. O objetivo é suprir a carência de acompanhamento médico, especialmente para gestantes, que, como Aldeniza, muitas vezes não atingem o número ideal de seis consultas durante a gravidez.
O projeto, batizado de "SUS na Floresta", opera como um reforço ao Sistema Único de Saúde (SUS), sem criar uma estrutura paralela. Ele é resultado de uma parceria público-privada, com execução pela FAS e apoio do BNDES e da Umame, além da gestão do IDIS e suporte técnico da prefeitura de Carauari e da Secretaria do Meio Ambiente do Amazonas. Profissionais de saúde vinculados à rede pública e à Estratégia Saúde da Família são responsáveis pelos atendimentos, garantindo a integração com o SUS.
Moradores como Maria Valkiane Freitas e Silva, da comunidade de Bauana, que antes gastavam cerca de R$ 160 para ir à cidade e mais para retornar, agora celebram a proximidade dos novos postos. A iniciativa visa aprimorar o acesso a serviços de saúde essenciais, como o acompanhamento de gestantes e o tratamento de enfermidades comuns na região, como suspeitas de verminoses, conforme relatado por Aldeniza após consultar sua filha de seis anos.
A expectativa é que a nova estrutura melhore significativamente a qualidade de vida e a saúde da população ribeirinha, que vive em um território extenso e de difícil acesso, a mais de 1.600 quilômetros da capital amazonense. A notícia da instalação de postos mais próximos já gerou expectativa em comunidades vizinhas, como São Francisco, que se preparam para buscar atendimento médico com mais facilidade.