Sarampo nos EUA: Epidemia Atinge Níveis Recordes com Queda na Vacinação

Epidemia de sarampo nos EUA atinge recorde com 2.295 casos em 6 meses e 44 estados afetados. Queda na vacinação e desconfiança em vacinas são causas principais.

Sarampo nos EUA: Epidemia Atinge Níveis Recordes com Queda na Vacinação

Os Estados Unidos enfrentam uma epidemia de sarampo que atingiu níveis recordes, com 2.295 casos registrados em apenas seis meses neste ano. Este número supera o total de 2.289 casos de todo o ano de 2025 e representa a maior alta em 35 anos, com 44 dos 50 estados americanos afetados. A situação é atribuída à queda na cobertura vacinal, reflexo de uma desconfiança crescente em relação às vacinas que se acumulou ao longo de anos.

## Crise de Imunização e Recordes Históricos

William Moss, professor de epidemiologia da Universidade Johns Hopkins, expressou frustração com a incapacidade de interromper a transmissão do vírus, destacando que os surtos recentes, especialmente na Carolina do Sul e em Utah, impulsionaram os números atuais. O recorde anterior de casos era de 1991, com mais de 9.600 infecções, antes que a vacinação em massa levasse à erradicação oficial da doença nos EUA nove anos depois. Apesar de oficialmente erradicado, o sarampo continuou a causar algumas dezenas de casos anualmente, com surtos em 2014 e 2019 já alertando para um possível retorno.

Naquela época, os focos da doença estavam mais restritos a comunidades isoladas. A epidemia voltou a crescer significativamente no ano passado, espalhando-se rapidamente. Em 2025, a doença causou três mortes, incluindo duas crianças não vacinadas. Atualmente, 95% dos casos registrados envolvem pessoas não vacinadas ou com status vacinal desconhecido, segundo a Universidade Johns Hopkins. A instituição reforça que duas doses da vacina contra o sarampo protegem 97% dos vacinados.

A cobertura vacinal para crianças pequenas caiu para menos de 93% neste ano, abaixo dos 95% registrados em 2020. Essa pequena diferença é crucial, pois a taxa de 95% é considerada o limiar para garantir a proteção coletiva.

## Raízes da Desconfiança e Impacto da Covid-19

A desconfiança em relação às vacinas tem raízes profundas. Um artigo publicado na revista The Lancet em 2000, que ligava a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo, apesar de posteriormente retirado por fraude científica, disseminou a desconfiança. A popularização da internet facilitou a propagação dessa informação, conhecida como 'fake news', impulsionada por grupos antivacina. Robert Kennedy Jr., atual secretário de Saúde dos EUA, é citado como fundador de uma organização que contribuiu significativamente para o conteúdo antivacina no Facebook.

A médica Anne Sénéquier, do Instituto Francês de Relações Internacionais e Estratégicas, ressalta que a luta contra o sarampo depende da confiança na ciência e na medicina. A pandemia de Covid-19 intensificou essa desconfiança, especialmente entre eleitores republicanos, com um aumento significativo na percepção de que os pais deveriam ter o direito de não vacinar seus filhos. Paralelamente, a erradicação da doença diminuiu a percepção de risco.

O sarampo pode causar sintomas graves como pneumonia, cegueira e encefalite, podendo levar à morte. Antes da vacina, nos anos 1960, a doença causava centenas de mortes anuais nos EUA e dezenas de milhares no mundo. A queda na vacinação, que afeta todas as faixas etárias, com quase metade dos infectados entre 5 e 17 anos e cerca de 30% adultos, agrava a crise.