Perder-se em casa: Entenda a condição que afeta orientação espacial

Entenda a Desorientação Topográfica do Desenvolvimento (DTD), condição que causa dificuldade em se orientar, mesmo em casa. Pesquisadores propõem o termo 'atopia' para casos sem mapa cognitivo.

Perder-se em casa: Entenda a condição que afeta orientação espacial

Uma condição neurológica conhecida como Desorientação Topográfica do Desenvolvimento (DTD) pode fazer com que indivíduos se percam até mesmo em seus próprios lares. Estimativas sugerem que até 1 em cada 30 pessoas pode ser afetada por essa incapacidade permanente de se orientar, mesmo em locais extremamente familiares. Os relatos indicam que os afetados se perdem com frequência, pelo menos algumas vezes por semana, desde a infância.

Ao contrário do que se poderia pensar, a DTD não é causada por lesões cerebrais, doenças neurológicas ou transtornos psiquiátricos. Para os pesquisadores, trata-se simplesmente de uma particularidade no funcionamento do sistema interno de navegação dessas pessoas. Inicialmente, as pesquisas focavam nos casos mais graves, que levavam os pacientes a buscar ajuda profissional. No entanto, hoje se sabe que existe uma ampla variação, com formas mais leves podendo ser interpretadas apenas como "falta de senso de direção".

A última década viu o termo DTD abranger diversas dificuldades de navegação, o que, segundo especialistas, pode ter reduzido a precisão diagnóstica e dificultado o desenvolvimento de apoios adequados. Por isso, pesquisas atuais buscam diferenciar os variados tipos de comprometimento na navegação espacial, com foco em indivíduos que não conseguem formar um mapa cognitivo.

## O mapa cognitivo e a 'atopia'

A maioria das pessoas constrói uma representação mental do ambiente, chamada mapa cognitivo, que integra pontos de referência e a relação entre eles e o indivíduo. Essa habilidade permite prever rotas e navegar com flexibilidade. Para pessoas com DTD, especialmente aquelas que não formam um mapa cognitivo, a navegação é um desafio constante. Esse subtipo específico foi proposto para ser nomeado como "atopia", que significa, literalmente, viver sem um lugar ou mapa.

Pessoas com atopia, embora possam ter boa memória para reconhecer pontos de referência, não conseguem integrar essas informações em um mapa mental coeso. Elas podem saber que a casa fica perto da estação e as lojas perto da casa, mas esses fatos permanecem isolados, sem formar uma representação espacial completa. Consequentemente, interrupções em rotas habituais, como uma rua interditada ou uma curva inesperada, tornam a navegação extremamente difícil, pois não há um mapa mental para recorrer.

## Impacto no cotidiano e esperança de melhora

Um participante de pesquisa descreveu a sensação: "Na minha cabeça, estou sempre em apenas um lugar, então não consigo imaginar como é o ambiente ao meu redor." Essa dificuldade pode levar a comportamentos mais rígidos, evitação de sair de casa ou dependência excessiva de aplicativos de GPS, sendo erroneamente interpretada como desatenção ou falta de inteligência. Sem o apoio correto, a autonomia pode ser rapidamente comprometida.

A boa notícia é que a atopia e a DTD não são condições degenerativas. A capacidade de navegação pode ser treinada, funcionando de forma semelhante a um músculo: quanto menos exercitada, mais enfraquece. Estudos indicam que a dependência excessiva de GPS, por exemplo, pode levar a um pior desempenho na orientação espacial.