Nova Combinação Reduz 60% Risco de Retorno do Câncer de Bexiga

Nova combinação de medicamentos reduz em 60% o risco de retorno do câncer de bexiga em pacientes inelegíveis à quimioterapia padrão, com aprovação da Anvisa no Brasil.

Nova Combinação Reduz 60% Risco de Retorno do Câncer de Bexiga

Uma nova combinação de medicamentos, administrada antes e após a cirurgia de retirada da bexiga, demonstrou uma redução de aproximadamente 60% no risco de recorrência, progressão ou morte em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo. A novidade, agora aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso perioperatório no Brasil, representa uma mudança significativa na abordagem terapêutica da doença, que não via um novo padrão de tratamento há duas décadas.

Os estudos, conduzidos pela Pfizer, analisaram o impacto da combinação de enfortumabe vedotina (Padcev) e pembrolizumabe em pacientes que não são elegíveis à cisplatina, o quimioterápico padrão. Os resultados foram animadores: além da redução de 60% nos riscos de recorrência e progressão, o risco de morte foi cerca de 50% menor em comparação com aqueles que passaram apenas pela cirurgia. Após dois anos de acompanhamento, 74,7% dos pacientes tratados com a nova combinação permaneceram sem sinais de progressão da doença, com uma taxa de resposta patológica completa de 57%, um avanço considerável frente aos 9% observados no grupo cirúrgico.

Um segundo estudo avaliou a eficácia da mesma combinação em pacientes com câncer urotelial avançado ou metastático. Neste grupo, a taxa de resposta com a nova terapia foi de 67,5%, superando os 44,2% obtidos com a quimioterapia convencional. Esses dados reforçam o potencial da combinação em diferentes estágios da doença.

A aprovação pela Anvisa para o uso perioperatório em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo inelegíveis à cisplatina marca um passo importante. Anteriormente, a combinação já havia sido aprovada no Brasil para pacientes adultos com câncer urotelial localmente avançado ou metastático.

O câncer de bexiga é o nono tipo mais comum no mundo, com mais de 614 mil novos casos diagnosticados anualmente. A introdução desta nova abordagem terapêutica oferece uma perspectiva promissora para milhares de pacientes brasileiros, trazendo um novo horizonte de tratamento após anos de estagnação.