Mortes súbitas de fisiculturistas acendem alerta sobre riscos cardíacos

Mortes súbitas em fisiculturistas, como a de Dallas McCarver, ligam alerta a riscos cardíacos elevados pelo uso de anabolizantes. Estudos confirmam maior incidência de problemas graves.

Mortes súbitas de fisiculturistas acendem alerta sobre riscos cardíacos

O aumento de mortes súbitas entre fisiculturistas tem gerado preocupação e levado a um debate sobre os riscos associados à prática do esporte, especialmente o uso de anabolizantes. Casos como o do americano Dallas McCarver, conhecido como "Big Country", que morreu aos 26 anos com um coração pesando mais que o dobro do normal, evidenciam a gravidade do problema.

## Coração sob pressão: adaptação vs. doença

O coração de atletas de força pode aumentar de tamanho por dois motivos distintos. Um deles é a adaptação fisiológica natural do corpo ao treinamento intenso, onde o músculo cardíaco engrossa em resposta à pressão arterial elevada durante o levantamento de peso. Essa hipertrofia tende a regredir quando o treinamento cessa, segundo o cardiologista Luiz Eduardo Fonteles Ritt. Contudo, o uso de anabolizantes esteroides pode levar a um quadro diferente e mais perigoso. O endocrinologista Clayton Macedo explica que, nesse caso, o coração não só hipertrofia, mas pode dilatar, perder força de contração e desenvolver insuficiência cardíaca, um quadro que pode se tornar irreversível.

A análise da necropsia de Dallas McCarver revelou espessamento do ventrículo esquerdo e acúmulo de placas de gordura nas artérias. A toxicológica detectou um nível de testosterona sintética mais de 30 vezes acima do normal, indicando o abuso de esteroides como fator contribuinte para sua morte. Especialistas como Macedo e Ritt ressaltam que o crescimento cardíaco em usuários de anabolizantes é mais severo e com desfechos negativos mais frequentes.

## Alerta em alta: mortes no Brasil e estudos internacionais

O debate sobre mortes precoces no fisiculturismo ganhou força no Brasil com os falecimentos recentes de atletas como Mailson Araújo, de 35 anos, em Alagoinhas (BA), cuja causa da morte ainda não foi divulgada; Gabriel Ganley, de 22 anos, em maio; Edson da Silva Ferreira, de 40 anos, em Teresina (PI), vítima de infarto em julho do ano passado; e Wanderson da Silva Moreira, de 30 anos, que sofreu parada cardiorrespiratória durante uma competição em Campo Grande (MS) dois meses antes. Embora as causas específicas de alguns destes casos não tenham sido totalmente esclarecidas, a semelhança com o caso de McCarver levanta suspeitas sobre o uso de substâncias.

Estudos internacionais reforçam a preocupação. Uma pesquisa publicada no European Heart Journal analisou mais de 20 mil fisiculturistas e identificou uma taxa de morte súbita cardíaca cinco vezes maior entre profissionais em comparação com amadores. Entre competidores do Mr. Olympia, a taxa chega a sete mortes a cada cem atletas, com idade média de 36 anos. Outro estudo dinamarquês, publicado na Circulation, acompanhou usuários de anabolizantes e apontou riscos significativamente maiores de cardiomiopatia (quase nove vezes), infarto (três vezes) e insuficiência cardíaca (mais do triplo) em comparação com a população geral.