Laqueaduras Superam Vasectomias no SUS de Campinas Após Mudança na Lei
Laqueaduras superam vasectomias no SUS de Campinas após flexibilização da lei de planejamento familiar, que reduziu idade mínima e eliminou exigência de autorização do cônjuge.

Em Campinas (SP), o número de laqueaduras realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passou a superar as vasectomias, invertendo uma tendência histórica. Os dados, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, revelam que em 2024 foram registradas 826 laqueaduras contra 677 vasectomias, e em 2025 a diferença se manteve com 693 procedimentos femininos e 469 masculinos. Essa inversão é consequência direta da nova Lei do Planejamento Familiar, que entrou em vigor em março de 2023.
## Mudanças na Legislação Ampliam Acesso
A legislação atualizou a idade mínima para esterilização voluntária, reduzindo-a de 25 para 21 anos, e eliminou a necessidade de autorização do cônjuge. Antes dessas alterações, as vasectomias eram mais frequentes. Em 2020, foram 220 cirurgias masculinas e 119 femininas. Em 2022, a diferença era notável: 714 vasectomias contra 226 laqueaduras. O ano de 2023 marcou um pico de 829 vasectomias, mas a partir de 2024, os procedimentos femininos assumiram a dianteira.
## Protagonismo Feminino e Desigualdade Histórica
Os dados compilados indicam que as mulheres, especialmente na faixa etária de 30 a 39 anos, lideram a procura por laqueaduras, com 1.507 procedimentos. A faixa de 21 a 29 anos também apresenta alta demanda, com 876 cirurgias. Especialistas apontam que a lei facilitou o acesso à laqueadura, que praticamente quadruplicou entre 2022 e 2024, passando de 226 para 826. Mirian Nóbrega, coordenadora da Saúde da Mulher em Campinas, destaca que a eliminação da exigência de autorização do parceiro foi crucial. Ela ressalta que o aumento reflete um fortalecimento do planejamento reprodutivo feminino, com mulheres assumindo mais o controle sobre suas decisões reprodutivas. Apesar da simplicidade e menor invasividade da vasectomia, a responsabilidade pelo planejamento contraceptivo ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres, refletindo uma desigualdade histórica, segundo Fernanda Garanhani de Castro Surita, professora da Unicamp. A equipe médica em Campinas também prioriza métodos reversíveis para mulheres mais jovens, como DIU e implantes, para permitir flexibilidade reprodutiva futura.