Jovem com leucemia morre em SP após atraso na entrega de remédio do SUS
Jovem de 29 anos com leucemia morre em SP após atraso na entrega de medicamento de imunoterapia, apesar de decisão judicial e incorporação do remédio ao SUS. Associação denuncia falhas no acesso.

## Atraso no Tratamento Levou à Morte
Larissa Amorim, uma jovem de 29 anos que lutava contra a leucemia desde a infância, faleceu em maio em São Paulo. Ela aguardava a entrega de um medicamento de imunoterapia, que já havia sido incorporado aos protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS), mas que nunca chegou a tempo. A decisão judicial que determinava o fornecimento imediato do tratamento foi proferida 59 dias antes de sua morte, sem que a medicação fosse disponibilizada.
Larissa foi diagnosticada com Leucemia Mieloide Crônica (LMC) aos seis anos de idade. Embora a doença tenha sido controlada por mais de duas décadas com o uso de um inibidor, ela enfrentou um quadro de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), para o qual a imunoterapia era indicada. A jovem, mãe de dois filhos, Benjamim, de 8 anos, e Sophia, de 7, teve seu caso agravado pela demora no acesso ao tratamento.
## Falhas Estruturais no Acesso ao SUS
Diante da situação, a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) protocolou uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria-Geral da República. O objetivo é investigar falhas consideradas "estruturais e reiteradas" que dificultam o acesso de pacientes com câncer a tratamentos reconhecidos pelo próprio Estado como eficazes e necessários. O Ministério da Saúde informou que adotou as providências para cumprir a decisão judicial, mas alegou indisponibilidade imediata do medicamento. A pasta também solicitou autorização judicial para depósito, sem obter resposta. O ministério ainda esclareceu que o blinatumomabe, medicamento em questão, foi incorporado ao SUS para indicações específicas relacionadas à LLA, mas não para o quadro específico da paciente, apesar de a liminar judicial ter apontado LLA B como diagnóstico.
## O Que é Imunoterapia?
A imunoterapia, ao contrário da quimioterapia que ataca diretamente as células cancerígenas, estimula o sistema imunológico do próprio paciente a identificar e combater a doença. Este tipo de tratamento abrange diversas classes de medicamentos e atua de forma a tornar as células tumorais mais visíveis para as defesas do corpo, conforme explica o hematologista Rafael Gaiolla, da Unesp Botucatu. O caso de Larissa Amorim evidencia a complexidade e os desafios enfrentados por pacientes na busca por tratamentos oncológicos no Brasil.